O Lobisomem

O Lobisomem Filme

Sempre achei que metade de um filme se dá as voltas de sua expectativa, quanto maiores mais difíceis de serem atingidas e com isso mais fáceis de deixarem o espectador sair do cinema decepcionado com o que viu. É por isso que O Lobisomem merece todos os méritos, já que em nenhum momento prometeu ser mais do que um divertido filme de terror clássico com cara de produção “B”.

Não “B” no sentido de uma falta de qualidade técnica, muito pelo contrário até, mas sim por parecer preocupado em ser simples e objetivo até o último fio de cabelo (ou pêlo): Filho pródigo volta para casa após o assassinato misterioso do irmão e durante as investigações é atacado por uma enorme criatura durante uma noite de lua cheia…. blá blá blá…. ele vira um lobisomem encontra o amor e é perseguido pelo vilarejo (na verdade, um pouco mais que isso, até fingindo guardar um segredo facilmente descoberto logo de cara).

É essa simplicidade que faz de O Lobisomem tão divertido, já que todo resto do filme é preenchido por muito sangue, tripas, decapitações, turbas de moradores com suas tochas, ciganos, balas de prata e um monstro clássico, tudo isso, temperado com o que se tem de melhor em efeitos especiais, maquiagem e direção. Não os melhores da indústria (talvez a maquiagem de Ricky Baker sim), mas, mais que isso, os nomes certos para o trabalho, principalmente na cadeira de diretor.

Joe Johnston não é uma unanimidade do primeiro escalão de diretores, mas, sem dúvida nenhuma é um nome que recorre a palavras “diversão” (seja em seu Rocketeer, Jumanji ou o terceiro Parque dos Dinossauros), casando perfeitamente com O Lobisomem. Johnston faz um filme de terror clássico, cheio de sombras, sustos e sangue, trazendo de volta aquele mesmo monstro da Universal que entrou para a história do cinema, fazendo não só uma refilmagem àquele homônimo de 1941, mas sim uma bela homenagem à ele.

E por mais que no final do filme não consiga segurar toda estética rebuscada de sua primeira metade, com uma câmera que passeia muito menos pela cena, tornando-a um pouco estática demais (talvez resultado das várias refilmagens que a produção teve), principalmente na sequencia final, ainda sim o espectador ganha de presente um divertidíssimo filme. Divertido por que dá ao público o que ele quer, ataques sorrateiros e violentos, uivos ao luar(muitos uivos mesmo!) e um monstro meio homem meio lobo, com direito a roupa rasgada e tudo. Johnston vai lá atrás buscar aquele mesmo personagem trágico por natureza, que é carregado por uma maldição que não pode ser quebrada e dá um close nele sem medo de ser piegas e engraçado, já que sabe que lobisomem que se preze precisa fazer pose na frente da câmera e atacar com estilo.

É exatamente disso que o filme sobrevive, de um estilo clássico e divertido, que não precisa ser levado a sério e que sabe que está ali para ser o chamariz da produção, em uma trama que parece pouco ligar para muito mais que um fio narrativo simples que está alí só para preencher as lacunas entre as sequencias de ação, principalmente das tão esperadas transformações, que desde já entram para os anais do cinema de terror.

Uma fotografia corretíssima, que deixa o filme quase preto e branco, de Shelly Johnson e uma trilha sonora do ótimo Danny Elfman, que não poupa acordes clássicos e climáticos, ainda completam a experiência divertida que é O Lobisomem, que só esbarra em um elenco pouquíssimo esforçado, talvez apenas Hugo Heaving se dando ao trabalho no papel do agente da Scotland Yards, deixando principalmente a dupla Sir Anthony Hopkins e Benício del Toro em um claro, mas pouco incomodo, piloto automático.

O Lobisomem talvez possa chatear um público mais “moderno”, mas com certeza vai acertar em cheio aqueles puristas que a tempos não viam essa criatura da lua ser tão bem tratada como aqui.


The Wolfman (EUA, 2009) direção: Joe Johnston com: Benicio del Toro, Anthony Hopkins, Hugo Weaving, Emily Blunt


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3 Comments

  1. os lobisomems gostam de escuro.botem muitas luses em casa porquer os bichos vam correr e vai sair devorando quem tiverem em seu caminho. tome muito cuidado nao se esquesa de botar luz em casa.ta

  2. roupinha é meio retrô e bacana, eu acho legal…roots

  3. Zero paciência pra lobinhos… eu me divirto justamente com as mortes, sangues e cabeças cortadas, mas acho que essa lenda não me emociona o bastante para eu me envolver com o filme. Não consigo levar a sério as roupinhas apertadas!

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