ou 13 razões pelas quais ´O Curioso Caso de Benjamin Button´ não deveria (ou não deverá) ganhar o Oscar.

Não que ele vá, muito menos agora com o Quem quer ser Milionário de Danny Boyle ganhando prêmio atrás de prêmio mundo afora, o caso é que, ao sair do cinema fiquei sem entender muito bem de onde saiu todo frisson da Academia e do público com o filme de David Fincher, por isso, vamos a elas:

1) A razão da atuação
Longe de Brad Pitt, no papel do peculiar Benjamin Button que nasce em um corpo de idoso e vê sua mente envelhecer enquanto seu físico rejuvenesce, ter feito uma má atuação, até pelo contrário, já que consegue capturar toda força do personagem, ao mesmo tempo que imprimi uma inocência que o caracteriza perfeitamente bem, conseguindo ainda se fazer aparecer debaixo de toda maquiagem e efeitos especiais. A grande verdade acaba sendo que, (além de ficar bem atrás de Rourke e Penn) o digníssimo marido da sra. Jolie não está nem perto de suas grandes atuações, como nos cultuados Seven e Clube da Luta, e muito menos ainda dos shows que deu em Kalifornia e Snatch. O Oscar de melhor ator para ele cairia como uma justiça com sua carreira e  com seus outro filmes.

  Minha aposta: Mickey Rourke levou o Globo de Ouro nessa categoria em seu papel de O Lutador, e deve fazer a mesa coisa nas Premiações da Academia, a não ser que Sean Penn o atrapalhe, como fez no Screen Actors Guide Awards, maior termômetro do Oscar nessa categoria.

2) Da atuação coadjuvante
O Globo de Ouro deu o prêmio para Kate Winslet, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas nem ao menos indicou-a nessa categoria, Marisa Tomei que contracena com Mickey Rourke em O Lutador já tem sua estatueta, o que deixam boas chance para Taraji P. Henson, como a mãe adotiva de Benjamin, ganhar a estatueta. Mesmo que de um jeito todo azarão de ser, já que fazendo-se justiça, mereceria pouco tal estatueta, não por resultar em um trabalho fraco, muito até pelo contrário, convence em grande parte dele, mas não conseguindo fazer sua personagem alçar um status melhor dentro da trama, parecendo ficar diminuída diante das atuações que a rodeiam.

Minha aposta: No quesito bola de cristão, Penelope Cruz apareceria como uma aposta mais garantida e sem surpresas, levando até a estatueta das mão de seu conterrâneo Javier Barden, ganhador no ano passado.

3)A da direção de arte
Mesmo com toda competência, O Curioso Caso… parece não conseguir se decidir em que caminho vai, ficando mais claro ainda quando seu teor técnico é posto em pauta. A impressão que se tem é a de uma dúvida em tentar criar um visual com um “Q” de fábula ou um que opte pelo real, resultando em algo barroco demais, mas completamente sem sentimento. Como se faltasse um tema mais conciso.

Minha aposta: É fácil encontrar exemplos de acertos como em Batman- Cavaleiro das Trevas e A Troca, ambos conseguindo captar muito melhor o mundo no qual aquela história pede para ser contada, com o primeiro ainda por cima, tendo o árduo trabalho de fazer um personagem dos quadrinhos ganhar todo teor realista do filme.

4) Do Figurino
Prever categorias técnicas, como melhor figurino, são sempre um exercício interessante, já que é difícil, até para os olhos melhores treinados, conseguir perceber e analisar todas nuances presentes em tal quesito. Ainda mais em um ano como esse, em que os indicados procuram se mostrar reais, independentes de suas épocas, já que, sem exceções, dos cinco, nenhum é contemporâneo. Os figurinos criadas por Jaquelline West acabam saindo um pouco atrás, já que, mesmo em um trabalho impecável, por ser obrigado a deixar pouco tempo de tela para suas roupas, já que o filme se passa durante oito décadas, acaba não conseguindo se tornar marcante. Com um enorme armário, mas sem aquele apelo que o tornaria inesquecível.

Minha aposta: Mesmo primando por um visual sutil e despercebido, até mereceria, mas vai acabar sendo engolida por produções como Milk e Foi Apenas Um Sonho, mais contemporâneas e que parecem ir a procura de um visual mais marcante.

5)Da Maquiagem
Em alguns momentos de O Curioso Caso… é fácil se pegar tentando descobrir se aquela pessoa na grande tela de cinema é resultado de horas na cadeira da maquiadora ou semanas na frente do computador. Se por uma lado isso resulta em um visual quase surreal, por outro deixa quase impossível o trabalho de Greg Cannom ser reconhecido, já que essa dúvida não é em vão, com toda maquiagem recebendo seu toque digital na pós produção.

Minha aposta: Longe disso tirar assim suas qualidades, mas fica impossível não dar um reconhecimento muito maior para a dupla Mike Elizalde e Thomas Floutz, obrigados a dar conta da fixação “old school” de Guillermo Del Toro em fazer tudo com o mínimo de efeitos digitais possível, e que, provavelmente, fizeram dos sets Hellboy 2 uma espécie de viagem onírica.

6)Dos Efeitos Visuais
Se pelo lado da maquiagem os efeitos digitais apareciam como um vilão, em contrapartida, aqui, os mesmo fatores o colocariam até com certa vantagem em relação aos seus concorrentes, principalmente por não deixar o espectador descobrir o que era ou não real, ainda mais quando seus dois concorrentes saíram direto dos quadrinhos. Ledo engano de levarmos em conta o quanto ambos, Homem de Ferro e Batman- Cavaleiro das Trevas parecem preocupados em fazer tudo o mais real possível, mesmo dialogando tanto com o fantástico.

Minha aposta: As duas adaptações dos quadrinhos convencem tanto, que ficará fácil os velhinhos da Academia reconhecerem, sem preconceito os verdadeiros melhores.

7) Da Mixagem de Som
Do mesmo jeito que é difícil explicar a diferença de mixagem para a edição de som para os mais leigos, ficaria mais difícil ainda ignorar o primeiro ato silencioso do injustiçado Wall-E (melhor filme do ano junto do Cavaleiro das Trevas, para mim), que dá uma lição de como fazer um filme “mudo” em um cinema que não consegue mais ficar calado diante de sua própria trama.

Minha aposta: é só ler no paragrafo anterior

8) Da Edição
A dificuldade de fazer todos oitenta anos da vida de Benjamim Button caberem em um filme, em muito se mostra acertada graças ao trabalho da dupla Kirk Baxter e Angus Wall na edição do filme. Se mostraria sensacional se não tivesse resultado em um ritmo arrastado e chato.

Não que isso exima de culpa o diretor David Fincher, mas uma falta de ritmo parece não deixar o filme engatar a segunda, como se ficasse uma impressão de falta de desprendimento com as sequencias, onde elas não pudessem serem cortadas e, em uma linearidade chata que se esconde por trás de uma narrativa pseudo moderna, acaba fazendo do filme uma experiência arrastada.

Minha aposta: Batman é impecável no andamento de sua trama e Quem quer Ser Um Milionário é marcado por um ritmo alucinante, por isso, qualquer coisa que não seja para esses dois pode ser considerado zebra

9) Da Trilha Sonora
Mesmo com um trabalho correto de Alexander Displat, que consegue criar o clima certo em torno do filme, de um jeito leve e sem forçar muito sua presença, ganhar a estatueta dourada é uma outra conversa. Principalmente em um ano com 22 indicações esperando sentados por seu momento de subir ao palco, por isso, tudo pode acontecer.

Minha Aposta: A Academia pode, desde se curvar às nove indicações de Thomas Newman em seu trabalho sensível de Wall-E a dar o Prêmio ao estreante na categoria A.R. Rahman por Quem Quer Ser Milionário. Displat, em sua segunda indicação, ainda tem pela frente o experiente James Newton Howard, com mais sete indicações, com seu trabalho em Defiance e por fim, Danny Elfman, criador de algumas das trilhas mais memoráveis (e para mim maior injustiçado) dos últimos vinte anos, em sua quarta indicação, desta vez por Milk. Talvez aqui um peso para a balança final do grande premio da noite, indo no embalo do “Melhor Filme”.

 10)Da Direção de Fotografia
Aqui, mais uma categoria onde O Curioso Caso… não leva a estatueta por parecer não conseguir fazer o suficiente, acabando por se diminuir perto de seus adversários. Mesmo com um visual caprichado, mas pouco marcante diante das possibilidades que teria em mãos.

Minha aposta: Tanto Tom Stern em A Troca quanto Wally Pfster por Batman conseguem um resulta a anos-luz de Claudio Miranda, principalmente Stern que parece desenhar os cenários com a escuridão.

 11) Do Roteiro Adaptado
Tanto nessa categoria quanto na de original, o buraco parece ser mais embaixo, já que dos cinco indicados para melhor filme, quatro estão na de roteiro adaptado e Milk aparece sozinho no de original. Ruim para o quarteto, pior para Milk. As chances de o grande vencedor da noite sair com essa categoria no bolso não é nenhuma surpresa, o que é pior ainda para o roteiro de Eric Roth, que conseguiu o feito de transportar um conto de 20 e poucas páginas em um filme de quase três horas, sendo ele, na verdade, o único envolvido no filme que não teve culpa da chatice da produção (pronto, parei de enrolar, é chato mesmo), já que tenta fazer de tudo para contar uma história com conteúdo, com pouco gordura narrativa, mas que parece ter sido mal enxergada na hora de virar imagens. 

A grande verdade é que Roth faz um roteiro com assunto para contar, conseguindo o mais difícil de tudo, prender a atenção mesmo diante de uma certa inevitabilidade. Mesmo com todo mundo esperando pelo momento em que o casal se encontrará em torno dos quarenta anos, consegue encher tudo antes disso com um frescor interessante. Perde a mão quando tenta fazer do personagem um Forrest Gump (cujo roteiro ele próprio escreveu), mas que acaba deixando-o apenas a sombra do personagem de Tom Hanks.

 Minha aposta: mais uma estatueta para quem levar a de “Melhor Filme”, ainda que o trabalho melhor seja o de John Patrick Shanley em A Dúvida, mesmo sem chance nenhuma de levar

12) Da direção
Dar o Oscar para David Fincher, por O Curioso Caso… seria celebrar um de seus trabalhos menos inspirados. Talvez até, aquele que menos condiz com sua carreira. Aquele que ele parece menos conseguir conduzir do jeito que vinha fazendo. Talvez uma enormidade visual possa até fazer parecer que O Curioso Caso... seja um acerto em sua carreira, mas é esse mesmo tamanho que não o deixa ser ele mesmo, que parece não o deixar praticar um tipo de inquietação que sempre se mostrou presente em seus filmes, como se a obrigatoriedade de alcançar um público maior o fizesse passar por cima de seus próprio ideais. O Curioso Caso… é um filme que parece afobado para não deixar nada por trás do que está sendo mostrando, não deixando espaço para o espectador pensar no que está vendo. Como se David Fincher mastigasse sua obra, coisa que até hoje não tinha precisado fazer para atingir um público.

Diante do Clube da Luta, Seven e Zodíaco (sem esquecer, Alien 3 e Quarto do Pânico) O Curioso Caso de Benjamin Button é um irmão riquinho que não precisou batalhar para crescer na vida, mimado e paparicado por todos, mas que nunca vai conseguir ser nem uma sombra de seus irmãos.

Minha aposta: Diante da concorrência, tanto Gus Van Sant, com muito menos chances, quanto Danny Boyle sairiam bem na frente. 

13)Do Melhor Filme
Depois de tudo isso, fica fácil saber por que O Curioso Caso… não merece, e provavelmente não vai, ganhar o prêmio mais famoso do cinema, ainda mais quando se vê Quero Ser Milionário ganhando os prêmios que mais valem como termômetros do Oscar. O Curioso Caso… deve até sair com uma ou outra estatueta na noite do dia 22 de fevereiro, mas ainda assim estará longe de ser um injustiçado. Por outro lado, Batman- Cavaleiro das Trevas foi ignorado por puro preconceito, já que (como eu mesmo falei em minha crítica) é muito mais um policial do que um filme de super-herói, coisa que não deveria interessar na hora de escolher o melhor filme do ano, mas enfim. O mesmo acontece com Wall-e, que, mesmo sendo o melhor filme do ano, aparentemente não parece “sério” o suficiente para a Academia lhe dar o valor que merece.

Mesmo com ótimos filmes, 2008 para o Oscar, vai ser mais um daqueles anos sem muitas surpresas, péssimo para a manhã de segunda na hora de escrever sobre a premiação, já que nada vai “roubar” cena nenhuma.

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