Durante um segundo, talvez durante o trailer, diante da sinopse, ou até pelo nome de Judd Appatow (diretor de Ligeiramente Grávidos e Virgem de 40 Anos) na produção, Missão Madrinha de Casamento parece ter tudo para funcionar e, no final das contas, funciona (diante de um véu de sarcasmo), caso você não esteja interessado em dar risadas.

Missão Madrinha de Casamento é simplesmente equivocado, em seu tom, em suas piadas, em seu ritmo, nas personagens, na trama e em um esforço enorme de tentar arrancar risos de situações sem a mínima graça.

Desde uma sequência de sexo que tenta ser “meio atrapalhada”, logo de cara, até piadas sobre tatuagens infeccionadas, simplesmente nada funciona. E seria simplista e imbecil falar que isso acontece por ser uma comédia focada para o público feminino, já que nesse caso é bom deixar claro que qualquer mulher do mundo merece muito mais que piadas repetidas, vômitos e diarréias como forma humor.

Nele, Kristen Wiig (vinda do humorístico Saturday Night Live e que também escreveu o roteiro com Annie Mumolo) é uma completa derrotada, com problemas na vida pessoal e no trabalho, mas tudo isso é compensado com a amizade da personagem vivida por Maya Rudolph (outra vinda do programa de sábado à noite nos Estados Unidos) e com o verdadeiro presente que ela lhe dá, já que vai se casar e escolhe ela como sua “maid of honor” (uma madrinha com muito mais responsabilidades).

Na verdade a confusão começa quando ela descobre que entre as madrinhas existe uma suposta “nova melhor amiga” de sua amiga, o que a faz enlouquecer mais ainda, já que precisa organizar tudo, passar por cima dessa outra mulher e ainda por cima resolver sua complicada vida.

“Missão Madrinhas de Casamento” então aposta nessa mesma piada de modo linear e sem novidade, a protagonista tenta de todo jeito acertar, coloca o grupo de mulheres em um monte de confusões e acaba vendo a melhor amiga ficar cada vez mais próxima dessa sua espécie de “arquiinimiga”(Rose Byrne). Talvez nesse momento um roteiro mais hábil conseguisse então que todos torcessem por essa pobre mulher, mas nem isso Missão Madrinha de Casamento consegue.

Durante todo tempo é difícil não ter pena da protagonista, mas por razões equivocadas, já que grande parte do problema se dá por culpa da própria personagem, que, a partir de certo momento, parece até sofrer de um ciúme da amiga e quase uma possessividade com ela que, nesse caso, faz o filme tomar seu ponto de vista e mostrar todas outras madrinhas como problemáticas ou malucas. Sendo que a própria protagonista não consegue fugir de uma depressão e um derrotismo muito maior que sua personagem precisaria ter para ser engraçada. Uma Loser é engraçado, uma garota triste, invejosa e carente, com pena de si mesmo tem o efeito completamente contrário.

Missão Madrinhas de Casamento ainda peca em um dos maiores pilares de sustentação de qualquer comédia: seu ritmo. Em nenhum momento o filme dirigido por Paul Feig consegue acabar a piada na hora certa, se transformando sempre em um show de risadas que se acabam antes do final da graça. O que deixa qualquer final de sequência com cara de rebarba mal cortada na hora da montagem, como se a todo momento o filme insistisse naquilo, mesmo que já tenha recebido o que procurava.

Mas enfim, talvez mesmo com tudo isso Missão Madrinhas de Casamento acabe funcionando dentro do cinema, já que a grande maioria das risadas virão daquela vergonha e sentimento de isolamento (ou pior, de parecer que não entendeu a piada), de ver o cara ao seu lado dando risada e você acabar fazendo o mesmo ao invés de chorar de tristeza, que é o que muitas vezes vai ter vontade. Ainda mais diante do vexatório número musical final, que deixaria até E Se eu Fosse Você 2 com vergonha.


Bridesmaids (EUA, 2011), escrito por Kristen Wiig e Annie Mumolo dirigido por Paul Feig, com Kristen Wiig, Maya Rudolph, Wendi McLendon-Covey, Ellie Kemper, Rose Byrne e Melissa McCarthy


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5 Respostas

  1. Camila

    Missão Madrinha de Casamento é um filme que reserva algumas boas surpresas. Claro que os primeiros minutos não deixam essa impressão (logo de cara já acompanhamos piadas envolvendo sexo, o que nos leva a crer que o longa será trabalhado em cima de apelações), mas, ao longo da história, dá para constatar vários aspectos positivos que tiram esse filme da obviedade para colocá-lo entre as boas opções do cinema de comédia em 2011. Neste filme, vimos Melissa McCarthy ato e Kristen Wiig juntos, e ele foi ainda melhor para vê-los participar em Caça-Fantasmas , i lhe dar mais detalhes aqui: (Link censurado) Comparado bastante com Se Beber, Não Case!, o trabalho do diretor Paul Feig acerta justamente naquilo que o longa estrelado por Bradley Cooper também acertava: na boa habilidade de transformar o óbvio em diversão.

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    • Vinicius Carlos Vieira

      Acho que ele entendeu sim, só achou o filme uma porcaria mesmo. Além de que o inverso também pode ser um questão para ele: Será que as pessoas não “entenderam demais” o filme?
      De qualquer jeito, ele agradece pelo seu comentário Bárbara, e espera que você volte sempre ao site e sempre deixe sua opinião.

      ass. O Crítico

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  2. Zefa Nepomuceno

    Nossa, nunca vi uma critica tao estapafúrdia.Vc viu o avesso desse filme, que é otimo e muito inteligente. As situações sao excelentes, a começar pelo sexo no inicio; uma mulher sendo usada por um canalha, que leva em conta apenas seu prazer. Ela faz de tudo para ELE ter prazer, e ele nem pensa na companheira ao lado. Ela fugindo, depois da transa, pq ele manda ela embora, a cena do portão é muito hilária. A personagem tem uma baixa auto estima, é isso que o filme tenta mostrar. Resta-lhe a amizade da amiga, mas ela fica com ciumes da nova amiga ricaça, casada mfeliz e poderosa(na concepção dela). A iagem da rica vai sendo reforçada enquanto a protatgonista vai caindo ao fundo do poço, e ela está tao infeliz que nao percebe que agora sim, é amada de verdade pelo policial. No fim da comedia, a rica é que é carente, jamais teve a alegria de uma melhor amiga. As outras personagens também se ajeitam, aparece ate um par de lesbicas. A coreografia do final nao éconstrangedora, mas sim mostra algo que ninguem podia ter, so mente as duas; elas tinham uma coreografia propria para aquela musica, por que eram melhores amigas de infancia. o filme é otimo, tudo acaba bem e eu ri bastante em varias cenas. Vc está é cego/a

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    • Vinicius Carlos Vieira

      pô Zefa, o que voce fez no seu comentário foi resumir o filme e se isso o torna bom, por você consegui-lo explicar, tudo bem… o caso é que não é que eu não entendi o filme, e se eu não tivesse entendido estaria agradecido pela sua atenção e ajuda, mas simplesmente eu achei o filme um porcaria, assim como você achou ele maravilhoso…

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