Nunca gostei muito de filmes eróticos, acabava achando-os um pouco repetitivos demais, mais que alguns segundo vendo-os terminava por se tornar algo mentalmente estafante, e mais, por  incrível que pareça, um outro ponto me deixava mais incomodado ainda: a falta de uma linha narrativa concisa, uma que carregue uma trama e não me faça achar que perdi um tempo precioso da minha vida. Mas uma coisa eu sei que não devo discutir, um filme erótico necessita de doses cavalares de cenas de sexo, retire todas elas e o que sobra é algo sem definição.

Max Payne, adaptação do jogo de video game de mesmo nome, é mais ou menos tudo isso. Por um lado, conta com uma linha narrativa mais frágil até que a de um filme “adulto”, sonolenta e sem emoção, e o pior, acaba não levando a nada e se esquecendo de seu princípio. Max Payne é como um filme de sacanagem sem a sacanagem. No caso dele, sem a ação.

Durante mais de 90 minutos, o amargurado detetive Max Payne, que não consegue deixar no passado a morte da esposa e da filha, acaba por dar de frente com uma conspiração cabeluda quando decide vingar seus assassinatos, participa de miseráveis quatro cenas de ação, sendo realmente só duas delas dignas de um filme do gênero, esbarra em meia dúzia de personagens, e só. Muito pouco para um filme baseado em um jogo que fez a alegria de muitos graças a sua carga pesadíssima de ação e tiros.

A grande verdade é que tudo parece se repetir como em um grande Déjà-vu, como as adaptações de games vem fazendo sem conseguir captar e levar para tela a trama, quase sempre, pronta e funcional, optando então por criar algo que, na sua maioria, dá de cara no muro. Não que as adaptações precisem ser xiitas em relação as seus originais, bastava que se transformassem em um produto decente, que as reclamações seriam bem menores.

Max Payne não é um boa adaptação e muito menos um filme que valha a pena. A começar pela falta de ação, como já foi dito, ficaria quase impossível que o resto do filme funcionasse, coisa que obviamente não acontece. Tentando criar uma trama cheia de nuances, o diretor John Moore acaba dando com os burros n´agua, já que desenvolve, desenvolve, desenvolve e, por fim, não chega a lugar nenhum. A cada lugar que Max Payne chega, cheio de revolveres espalhados pelo corpo (pouquíssimo usados), a plateia fica com aquela esperança de um pé na porta, slow motion e tiros para todos lados, finalizando com um amontoado de capangas mortos, mas o que se ganha é muita conversa.

É como se tudo fosse um grande adaptação das “cutscenes” (aquelas animaçoezinhas que servem de ferramente para contar a história do jogo) do original eletrônico, deixando totalmente de lado a ação que deveria existir entre elas. Até mais da metade do filme, nem uma mísera sequencia de ação dá as caras.

No quesito slow motion, surge outro problema, já que provavelmente, o game só ganhou sua fama graças ao uso indiscriminado de tal “velocidade”, dando toda cara de um filme de ação para toda experiência do jogador. No cinema não teria como ser diferente, a não ser que a adaptação não tivesse onde usar tal coisa, que é o que acontece. Piorando mais ainda tudo quando, os poucos momentos presentes, acabam se mostrando sem importância e lentos demais (eu não sabia nem que isso era possível). Nem no clichê o filme acerta.

Se ainda por outro lado, o visual rebuscado, escuro e estiloso, que imita perfeitamente o do jogo, com uma neve e uma chuva intermitentes, deixam o filme com aquela cara de bacana, por outro, fica fácil rir dos vai-e-vens da trama escrita por Beau Thorne, que, além de parecer não dizer nada, pula de cena para cena sem maior preocupação com uma unidade narrativa, deixando tudo com cara de apressado,  levado ainda ao extremo, com uma montagem quadrada e seca. E se isso ainda não fosse suficiente, o roteiro também cria personagens que beiram a imbecilidade, sem entender o que acontece as suas frentes e capazes de fazerem coisas que nem os mais idiotas fariam, irritando o espectador que em certo ponto, provavelmente, vai perder as esperanças de achar que alguém ali virá com algo interessante, desistindo completamente do filme.

Se não bastasse tudo isso, Max Payne ainda decide repetir todos esses erros várias vezes durante todo filme. Você cansa de ver as demonstrações de ódio dos policias com o herói, se irrita ao ver todas vezes que alguém tentando falar para ele seguir em frente, se desespera a cada momento que a trama esfrega na cara de todos algo que supostamente seria uma surpresa final (os verdadeiros vilões) e desiste de contar cada vez que o vilão tatuado aparece com cara de mal.

Por fim, não se assuste com o aparente desprezo com que todos problemas são sancionados, de jeitos anti-climáticos e que assinam embaixo da mediocridade com que o espectador tem que lidar durante todo filme. É óbvio que os fãs do jogo torcerão o nariz para esse marasmo, mas, o espectador comum ficará mais indignado ainda com tamanha falta de respeito, já que eles entraram no cinema a procura de ação, e não de um bate-papo amigável entre personagens.

Lembrando ainda dos filmes eróticos, Max Payne é um filme que falha, desastrosamente, na hora “H”.


idem (EUA, 2008) escrito por Beau Thorne, dirigido por John Moore, com Mark Wahlberg, Mila Kunis, Beau Bridges, Ludacris e Olga Kurilenko


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2 Respostas

  1. Túlio

    Concordo plenamente com seu ponto de vista a respeito da falta de emoção no filme. Para um homem que perdera sua filha e sua esposa, as cenas de ação no decorrer do filme falta um poco de garra da parte dele. acho que com uma base tao boa como um jogo épico poderia se ter um filme de qualidade bem maior que esse. acho que fugiu um pouco do contexto do jogo nas partes onde aparece o cara da tatuagem no rosto, no jogo ele nao era ‘invencivel’.

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