Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo | Mais um pouco de ABBA na Grécia


Em 2008, Mamma Mia! tornou-se um sucesso estrondoso de público (não tanto de crítica), graças principalmente ao apelo em torno da ideia de “Meryl Streep e grande elenco cantando hits do ABBA na Grécia”. E do que mais um filme precisa? Para começar, de ritmo e coesão, coisas que faltam no filme original — que, em última instância, é uma produção repleta de problemas e apenas moderadamente simpática e divertida. Muitos desses problemas permanecem em Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo, mas pelo menos a dose de charme e de agilidade é bem maior agora.

Depois da morte de Donna (causa mortis: Meryl Streep não quis se prender a uma sequência e só aceitou fazer uma pequena participação), sua filha, Sophie (Amanda Seyfried), prepara-se para reinaugurar o hotel da mãe, agora reformado e com o nome de Hotel Bella Donna. Enquanto Sophie lida com os nervos e com as altas expectativas para a festa de reinauguração, a presença de Donna está por toda a parte — inclusive nos flashbacks que contam a história de como, em 1979, ela foi parar na pequena ilha fictícia de Kalokairi e engravidou sem saber quem era o pai de sua bebê.

Sim, é uma história que já conhecemos e que, para falar a verdade, pouco acrescenta de novo em termos de trama. Aliás, é… interessante notar como Donna (vivida na juventude por Lily James) e suas amigas Tanya (Jessica Keenan Wynn) e Rosie (Alexa Davies), assim como os rapazes Bill (Josh Dylan), Sam (Jeremy Irvine) e Harry (Hugh Skinner), são exatamente as mesmas pessoas quando jovens do que no tempo presente; alguns sinais de amadurecimento aparecem apenas em Donna, enquanto os outros estão somente décadas mais velhos. Isso não chega a ser um problema grave porque esses seis personagens são o ponto forte de Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo em ambos os tempos, mas demonstra a maneira rasa com que o diretor e roteirista Ol Parker aborda a produção — mas, em sua defesa, essa falha é herdada da dupla responsável pelo primeiro longa, Phyllida Lloyd e Catherine Johnson.

Mas o fato é que são nesses acontecimentos já conhecidos que Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo chega mais perto de brilhar. O elenco jovem da obra captura à perfeição os trejeitos e a personalidade de suas versões mais velhas e, no entanto, não se limitam a simplesmente imitá-los. Lily James transmite com carisma e energia a vontade de Donna de entregar-se para a vida e protagonizar aventuras intensas, mas não ignora as dúvidas e inseguranças que ela sentia — especialmente, é claro, ao envolver-se com três homens tão diferentes quanto o tímido Harry, com quem ela passa um único dia memorável (mais para ele do que para ela) em Paris; o charmoso Bill, que a leva em seu barco de Atenas até Kalokairi e, depois, retorna à ilha no momento ideal; e o romântico Harry, por quem ela verdadeiramente se apaixona, apenas para descobrir que ele tem uma noiva para a qual precisa retornar. Enquanto isso, Alexa Davis e Jessica Keenan Wynn têm nas mãos alguns dos momentos mais divertidos do longa — e a pessoa que se deparou com Wynn e enxergou na jovem uma versão mais nova de Christine Baranski merece aplausos.

De volta ao presente encontram-se os maiores obstáculos para que a produção seja tão divertida e envolvente quanto poderia ser. O companheirismo entre Bill (Stellan Skarsgård), Harry (Colin Firth) e Sam (Pierce Brosnan) funciona muito bem, mas o mesmo não pode ser dito da subtrama envolvendo o relacionamento de Sophie e Sky (Dominic Cooper), ou o drama que se desenrola quando uma das tempestades mais mal feitas do cinema assola a festa cuidadosamente organizada por ela.

Além disso, apesar de carismática e talentosa, Amanda Seyfried é bastante prejudicada por ter recebido de Parker alguns dos piores diálogos do roteiro, como “Você não quer dizer não, você quer dizer o oposto de não!” ou “Não fui eu que o construí” quando alguém a elogia pela reforma do hotel (sério?). Mas, nesse sentido, o momento mais sofrível é definitivamente quando a jovem Donna conta a Harry que sua mãe viveu um trágico romance na América Central apenas para, mais tarde, alguém especificar que esse caso teve lugar no México. Poxa, Hollywood, o preconceito de vocês contra latinos é tão grande a ponto de ignorar lições básicas de geografia?

Tecnicamente, a produção permanece pouco inspirada. Tirando algumas sacadas dinâmicas e eficientes do montador Peter Lambert, a falta de dinamismo, especialmente nas coreografias, torna-se particularmente óbvia durante a sequência em que Cher e Andy Garcia declamam “Fernando”. Aliás, a presença de Cher no terceiro ato é uma carta na manga dos cineastas, mas nem mesmo ela consegue nos fazer ignorar que a energia do longa vai diminuindo conforme a conclusão se aproxima (ainda bem que Christine Baranski está ali para nos salvar com a melhor frase do filme, dita quando ela se depara com o irmão do personagem de Andy Garcia). Merece destaque também a brilhante solução para o fato de que os maiores sucessos do ABBA já haviam sido utilizados no original: usar vários deles de novo!

Mesmo assim, Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo mostra-se consideravelmente superior ao original, graças às cenas protagonizadas pela jovem Donna, sua dupla explosiva de amigas e os rapazes que surgem subitamente em sua vida. Um longa inteiro dedicado a eles talvez fosse a melhor opção, pois desejamos voltar ao final da década de 70 toda vez que o longa nos força a acompanhar o presente.


“Mamma Mia! Here We Go Again” (EUA/RU, 2018), escrito e dirigido por Ol Parker, com Lily James, Amanda Seyfried, Cher, Josh Dylan, Jeremy Irvine, Hugh Skinner, Jessica Keenan Wynn, Alexa Davies, Stellan Skarsgård, Pierce Brosnan, Colin Firth, Christine Baranski, Julie Walters, Andy Garcia, Dominic Cooper, Panos Mouzourakis e Meryl Streep.


Trailer – Mamma Mia! Lá Vamos Nós

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