Lucy não é para ser realista. Se você adotar essa postura quando for ao cinema assistir o novo filme de Luc Besson, a experiência pode ser bastante boa. E até lhe fazer pensar um pouco sobre algumas das questões propostas pelo mesmo.

A projeção, aliás, começa com uma questão: “A vida nos foi dada há um bilhão de anos. O que fizemos com ela?”. A partir daí, o grande objetivo do filme é propor uma solução para o sentido da vida. Spoiler: a resposta é simples, mas até que faz sentido. Claro, antes de chegar nesse ponto, muita coisa acontece. Do início, então.

Lucy (Scarlett Johansson) é uma estudante em Taipei, Taiwan, que, enganada pelo namorado, acaba nas mãos de traficantes. Eles a usam como mula, para levar uma nova droga à Europa. Observação 1: a droga é colocada na cavidade abdominal dela, cirurgicamente. Observação 2: a droga, CPH4, é a versão sintética de uma substância produzida pelas mulheres na gravidez, que ajuda o desenvolvimento do feto. Voltando à trama, antes de deixar Taiwan, o saquinho de CPH4 rasga dentro de Lucy e a droga que vazou começa a aumentar sua capacidade cerebral, aguçando seus sentidos e causando alguns outros efeitos colaterais sobre-humanos.

O filme é uma ficção científica eficiente, que mantém o interesse por uma trama que é difícil de prever e pelas cenas de ação trabalhadas satisfatoriamente. A atuação de Johansson mostra um desenvolvimento interessante. Lucy é apresentada como uma mulher forte, mas jovem e um tanto inconsequente. Ao longo do filme, conforme a droga afeta seu cérebro, suas emoções se reduzem e ela parece ficar cada vez menos humana. A atriz consegue fazer essa transição de maneira suave, ao mesmo tempo que deixa transparecer um desejo de preservar o pouco de humanidade que lhe resta, à medida que sua capacidade cerebral aumenta. E é bom ver uma protagonista feminina forte, cuja história não depende de homens ou de relacionamentos amorosos para se desenvolver. Só para variar.

Lucy Filme

Outro ponto interessante de Lucy são algumas técnicas de montagem pouco utilizadas no cinema atual, mas que, dado o tema do filme – que gira em torno da evolução humana – fazem sentido. A alternância entre cenas do reino animal e da história do filme, como quando Lucy entra no hotel à procura de Mr. Jang (Min-sik Choi) e a cena é entrecortada por imagens de um guepardo observando um antílope, estabelecem relações de sentido entre cenas de contextos diferentes, um recurso que remete aos filmes de Eisenstein.

Talvez o único pecado de Lucy seja a ciência tola – é meio óbvio que não usamos só 10% do cérebro e é difícil que a versão sintética de um hormônio liberado na gravidez desenvolva poderes nas pessoas. Mas tudo bem, o que Luc Besson quer é fazer o espectador pensar na vida. E se você seguir pelo pensamento do diretor, ele pode ser bem sucedido.


Lucy” (France, 2014), escrito por Luc Bessondirigido por Luc Bessoncom Scarlett Johansson, Morgan Freeman, Min-sik Choi e Amr Waked.


Trailer do filme – Lucy

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9 Respostas

  1. Jefferson

    Infelizmente tem muitas pessoas usando 5% do cérebro não aceitam mudanças fazer oq mudamos o mundo não as pessoas essa é a diferença de nós até a próxima excelente filme

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  2. Jefferson

    Achei interessante não canso de assistir e vejo muitas coisas que eu não enxergava nós sempre pensamos em ter do que ser sempre pensei nisso mas nunca tive oportunidade de expressar oq penso eu consigo lembrar de tudo desde os 2 anos não sei como só consigo

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  3. Fabio Amaral

    Concordo com o Leonardo, percebe-se que em algum momento o diretor perdeu a mão.

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  4. Felipe

    Só uma trama: como seria se usássemos 100% do nosso cérebro? E, nisso, o filme é excelente! Filme muito bom, nos discursos, nas fotografias e nos efeitos especiais.

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  5. Leonardo

    Esse filme é uma perda de tempo.
    Nitidamente nota-se que o diretor perdeu a noção do que exibir e o enredo perde-se totalmente.

    Péssimo!

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