Livrai-nos do Mal

Livrai-nos do Mal Filme

Existe quase um “acordo de cavaleiros” entre o terror e os fãs do gênero: Nós lhe entregamos o que vocês querem, o gore, as mensagens demoníacas e monstros em geral, tudo sem muita pretensão, e vocês continuam gostando da gente e enchendo os Livrai-nos do Mal Postercinemas. Livrai-nos do Mal faz parte desse “acordo”, e não decepciona.

Melhor ainda, tenta fazer algo quase clássico na literatura/cinema de terror, mistura o gênero com uma trama policial. Tudo bem que não uma trama tão inspirada nem muito cheia de meandros, mas os arquétipos estão lá, do policial que precisa recobrar sua fé até o caso que não daria em nada, mas se torna o cerne dos acontecimentos inexplicáveis. Isso ainda sob a olhar interessante do diretor Scott Derrikson, “jovem-experiente” na arte de assustar seus espectadores.

Derrikson surgiu para o cinema com o intrincado e surpreendente O Exorcismo de Emily Rose, mais recentemente voltou ao gênero em A Entidade, tudo para agora juntar um pouco de cada um em seu Livrai-nos do Mal. Do primeiro vem a trama onde um policial de New York, Ralph Sarchie (Eric Bana), acaba dando de frente com um caso onde um ex-soldado americano volta “mudado” do Iraque. “Mudado” talvez não seja a palavra correta, e por isso entra em cena um sacerdote (vulgo Padre), todo moderno, atlético (não sou eu que estou falando, é a introdução do personagem!) e cheio de vícios, mas especialista em tratar casos de possessão demoníaca (Edgar Ramirez). Bom, o resto você já pode adivinhar.

Uma obviedade que nem de perto é um problema, que só esta ali preparando o terreno para o inevitável: um bom e velho exorcismo. Já o lado Entidade fica por conta de um clima que carrega cada volta em corredores escuros, passos em chãos de madeira e sustos com a trilha sonora estourada. Mas o esforço vale a pena, já que o roteiro do próprio diretor em parceria com Paul Harris Boardman costura bem toda trama, que por mais simples que seja, funciona muito até o último sobressalto na poltrona.

Livrai-nos do Mal Filme

E aqui um outro detalhe interessante: por se tratar uma suposta história real (escrita pelo próprio Sarchie), Livrai-nos do Mal, ainda que transite por demônios, mensagens em latim e gente falando com leões, procura fincar bem os dois pés no chão (assim como Emily Rose). Lógico que isso não impede um ou outro exagero visual ou narrativo para entreter os fãs, mas talvez seja sua veia “mundana” que mais vá de acerto à trama. Um real que assusta ainda mais por Derrikson se esforçar para isso soar, justamente, real. Crível. Próximo.

O curioso disso é que quanto mais chega perto do místico, do inexplicável e demoníaco, menos o seu “lado policial” precisa se esforçar para andar longe dos clichês. Não tenha dúvida que o espectador vai dar de cara com um monte de referências a Seven e mais uma sacola cheia de perseguições que acabam em porões e parceiros descartáveis (ops… isso foi um spoiler), mas, por outro lado, o interessante é isso tudo servir muito bem de preparação para o tão esperado e inexorável exorcismo.

E justamente por esse momento culminante funcionar em todos seus “estágios” que Livrai-nos do Mal se sente à vontade para tentar ser algo minimamente novo. Lógico que uma colcha de retalhos sem muitas surpresas e mais uma vez com um demônio com medo de dar as caras durante o dia, mas ainda assim um recorte bem alinhavado. Na verdade, senão sensacional, pelo menos na medida e sem muitas pretensões a não ser satisfazer os fãs do gênero, que, com certeza, sairão do cinema com a sensação de dever cumprido e de que o “acordo de cavaleiros” ainda poderá continuar por mais uma temporada de estreias.


“Deliver Us From Evil”(EUA, 2014) escrito por Scott Derrickson e Paul Harris Boardman, a partir do livro de Ralph Sarchie e Lisa Collier Cool, dirigido por Scott Derrickson, com Eric Bana, Édgar Ramirez, Olivia Munn, Sean Harris e Joel McHale


Trailer do filme “Livrai-nos do Mal”

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4 Comments

  1. Bom filme, dá alguns sustos e tem um bom clima. A trama é mesmo fraca e Eric Bana é um canastrão.
    Desculpe corrigir o crítico, mas é colcha de retalhos e não “coxa”.

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