Depois dos incríveis Uma Aventura LEGO e LEGO Batman – O Filme é de se esperar que muito mais gente vá correndo aos cinemas para ver LEGO Ninjago – O Filme. Bom para as bilheterias, ruim para o filme, que nem de perto tem as mesmas pretensões dos outros dois “filmes de montar”.

Nem de perto isso também deve prejudicar muito o filme, só fará com que algumas pessoas entrem no cinema esperando mais uma pequena pérola e saiam de lá “só” com um filme divertido, colorido e que segue a ideia amalucada dos outros.

O filme nasce tanto de um extra do DVD de Uma Aventura LEGO, quanto de uma animação que já é exibida no Cartoon Network, ainda que a história no filme não siga tanto a da TV. Nele, a cidade de Ninjago sofre a constante invasão do vilão Garmadon, e a única coisa que impede ele de dominar a população é um grupo de ninjas e seus robozões gigantes, mas isso sem saber que o líder deles é na verdade Lloyd Garmadon, filho abandonado do vilão.

Ninjago então é bastante sobre o trauma desse garoto por não ter tido o pai com ele. É lógico que isso é feito do “LEGO way” e sobram piadas cínicas e absurdas dentro de uma trama que os faz terem que juntar forças e se conhecerem em uma aventura meio estapafúrdia. Exatamente aquilo que os fãs do LEGO no cinema mais querem.

Sobram gargalhadas no modo como eles desenvolvem o jovem sofrendo bullying da cidade inteira (já que todos sabem que ele é filho do vilão), assim como acertam no humor entre os personagens. E ainda que lá para o final Ninjago não saiba muito bem o que fazer com suas lições moral, pelo menos sabe sempre cortar esses momentos com alguma reviravolta que beira o cinismo, quebra a quarta parede ou é simplesmente ridículo demais para ser levada a sério (no bom sentido).

LEGO Ninjago - O Filme Crítica

Mas o foco do filme é claramente um público muito mais infantil que os outros dois filmes, apostando em soluções narrativas mais simples. Por outro lado, mantém a complexidade sutil de certas piadas e gags que só serão captadas pelos pais e tios que forem levar os baixinhos ao cinema.

E isso tudo ainda é completado com um visual que continua incrível. Diante da ausência de limites físicos para qualquer tipo de tomada, a câmera do trio Charlie Bean, Paul Fisher e Bob Logan se diverte voando pelos cenários, diminuindo a velocidade e se colocando em alguns lugares inusitados. Tudo isso, uma combinação que dá uma agilidade enorme para o filme, já que nunca o espectador vai se sentir parado diante da ação.

LEGO Ninjago – O Filme pode até ser feito para um público mais “jovenzinho”, mas sobre tudo isso, quem levar eles ao cinemas vai se divertir com as referências aos antigos filmes de kung fu chineses que povoaram a infância de muita gente, assim como não deixará de perceber o jeito tokatsu do grupo de ninjas e se divertirá com a clássica personalidade do Mestre Wu (no original dublado por Jackie Chan, que ainda faz uma ponta para abrir e fechar o filme), sem esquecer, é claro, da presença de um fofinho “monstro” gigante ao melhor estilo Kaiju. Enfim, um filme para toda a família de verdade, é só sentar na poltrona e aproveitar com um grande pacote de pipoca.


“The LEGO Ninjago Movie” (EUA, 2017), escrito por Bob Logan, Paul Fisher, William Wheeler, Tom Wheeler, Jared Stern e John Whittington, dirigido por Charlie Bean, Paul Fisher e Bob Logan, no original com vozes de Jackie Chan, Dave Franco, Fred Armisen, Kumail Nanjiani, Michael Peña, Abbi Jacobson, Zach Woods e Justin Theroux.


Trailer: LEGO Ninjago – O Filme

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