Jogada de Mestre (mais uma das distribuidoras, sempre criativas), ou Kidnapping Mr. Heineken, é um thriller “baseado em fatos reais”, como dizem os letreiros iniciais. Sempre encarei esses dizeres como uma forma de se desculpar pela história não ser tão boa, e esse caso não foge à regra. Inspirado também no livro do repórter criminal Peter R. de Vries, é dirigiro por Daniel Alfredson, responsável pelas continuações do filme sueco Os Homens que Não Amavam as Mulheres.

Tentando inutilmente criar um pouco de dimensão aos personagens que irão se juntar para praticar o ousado sequestro de Alfred Heineken, criador da famosa marca de cerveja, o filme passeia por suas histórias rapidamente para mostrar que a esposa de um deles está grávida, e tenta criar uma justificativa da “brilhante” ideia através do seu sogro, que é um funcionário fanático pelo chefe bilionário.

Ao mesmo tempo há um suspense que quando é revelado não acrescenta nada (até porque trailers hoje em dia já contam tudo, mesmo): Heineken é interpretado pelo ator Anthony Hopkins, que agora está preso, assim como esteve ao viver seu personagem mais famoso, o canibal assassino de O Silêncio dos Inocentes. Mais uma vez o filme escorrega em traçar esse paralelo e tentar impor um ar magnético ao sujeito, e para isso divide em pequenas cenas que mostram-no sob controle de seus atos (como se pudesse fazer algo de dentro de um quarto à prova de som).

Na verdade, boa parte da história se passa bem antes do próprio sequestro, com o planejamento e a forma desajeitada e afortunada do o grupo para conseguir dinheiro assaltando um banco. Antes disso os vemos expulsando punks de um prédio invadido. Tanta interação entre eles e mesmo assim fica difícil dizer quem é quem, pois há pouco de personagens de carne e osso para ser visto. São apenas situações que poderiam ocorrer com qualquer um desesperado. Dessa forma é frustrante ver particularmente Jim Sturgess (Quebrando a Banca) e Sam Worthington (Avatar) contracenando sem um único momento memorável.

Jogada de Mestre Crítica

No entanto, o filme usa caminhos seguros e possui uma edição competente que consegue na maioria do tempo nos entregar a ação sem ficarmos muito confusos. Incidentalmente até gera alguma sensação, principalmente quando o plano entrega alguns imprevistos potencialmente divertidos, como um taxista bancando o detetive e um equívoco envolvendo o bilhete do resgate. Mesmo assim, ambas acabam se resolvendo rapidamente e não atrapalham em nada um roteiro sem sal que apenas quer se ater aos “fatos”, mesmo que isso signifique não gerar tensão em nenhum dos seus momentos.

Obviamente moralista (“há duas maneiras que um homem pode ser rico nesse mundo”), fica difícil entender o motivo de sua existência. Foi um sequestro real, que aconteceu e que já sabíamos o resultado. Nada de realmente extraordinário justificaria transformar esta história em um filme. A não ser ouvir mais uma vez a voz de Anthony Hopkins, porém, dessa vez, o que ele diz, assim como a maioria das histórias baseadas em fatos reais, não é tão brilhante assim.


“Kidnapping Mr. Heineken” (Hol/RU/Bel), escrito por William Brookfield, à partir do livro de Peter R. de Vries, dirigido por Daniel Alfredson, com Jim Sturgess, Sam Worthinton, Ryan Kwanten e Anthony Hopkins.


Trailer – Jogada de Mestre

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