O segredo de um bom filme não é criar algo que nunca tenha sido feito ou explodir os cérebros de seus espectadores com alguma reviravolta; o segredo de um bom filme é, na maioria das vezes, saber usar bem tudo aquilo que já foi feito. E quando o assunto é o terror isso fica mais claro ainda. Invocação do Mal 2 é a prova cabal disso.

O filme é mais uma vez dirigido pelo meio maláio meio australiano James Wan, que já (literalmente ou não) explodiu várias cabeças ao reformular o gênero com o começo da franquia Jogos Mortais em 2004, mas que, desde 2010, com o incrível Sobrenatural, vem apostando em um terror clássico, daqueles com boas velhas possessões demoníacas, fantasmas e sustos (muitos sustos!).

Invocação do Mal 2 é então sua quarta passagem por essas casas de madeira que rangem a cada passo e cheia de sombras, tendo comandado ainda o primeiro filme dessa franquia e a continuação de Sobrenatural. Mas nem por isso ele passa a fazer algo não digno de ser celebrado. Bem pelo contrário até, o que é uma enorme satisfação para os fãs do gênero.

Então, não esperem nada muito diferente de tudo aquilo que já foi visto, o que muda agora é um pouco mais de espaço para o casal de investigadores paranormais Ed e Lorrain Warren (Patrick Wilson e Vera Farmiga), que depois de um pequeno prólogo onde se encontram em meio a famosa casa mal assombrada de Amityville partem para o outro lado do Pacífico para enfrentar os poderes obscuros.Uma referência histórica e famosa que serve principalmente para mais uma vez colocar  seu espectador dentro da ideia de “baseado em casos reais”, o que por si só já é assustador.

Mas a trama de Invocação do Mal 2 passa por uma família inglesa que acabou tão famosa quanto a família Lutz (Amityville). Nela, uma das filhas passa a “receber” um espírito de um senhor de 72 anos enquanto diversos acontecimentos paranormais começam a atingir a casa. O caminho do Warren com o da família inglesa se cruza quando a própria Igreja Católica pede ajuda aos dois para investigar o caso, o que acaba fazendo com que eles descubram que existe muito mais coisa por trás dessa “simples possessão”.

Invocação do Mal 2 Crítica

Uma estrutura que lembra uma série enorme de outros filmes do gênero, e até repete a ideia central do filme anterior, o que obriga Wan a se desdobrar para conseguir enganar e persuadir seu espectador a entrar naquele mundo e ser aterrorizado. E se isso se resume a muitos sustos provocados por uma trilha sonora que se joga algumas oitavas acima ou que sempre deixa aquele canto da composição de sua cena livre para o surgimento de um fantasma/demônio, isso não é um problema para a câmera precisa do diretor. Wan ainda por cima se dá ao apuro técnico de algumas tomadas sem cortes e “plongees” que valorizam e muito o ótimo trabalho de recriação de época. Resumindo, tudo tão no lugar que o espectador se perde em meio a Invocacação do Mal 2.

Wan usa tudo que tem em mãos, arranca sustos genuínos e de arrepiar, o que mostra que está acima da média dos diretores que decidem se aventurar no gênero, principalmente, pois sabe suas limitações e conhece bem suas referências. Como se estivesse em algum lugar lá por meados dos anos 70 e 80, mas co dinheiro para criar aparições e efeitos especiais de ponta e que criam uma imersão maior ainda. Uma vontade de ser clássico que conquistará todos espectadores.

E ainda que num segundo momento, ali pelo meio do filme, o ritmo caia um pouco enquanto aposta em uma trama paralela, Invocação do Mal 2 ainda guarda uma reviravolta interessante para o final e fará muito gente ter aquela vontadezinha secreta de olhar sob o ombro em busca de alguma coisa. E isso é um sentimento que não tem ingresso que pague e quase sempre é o maior sinal de um grande filme de terror.


“The Conjuring 2” (EUA, 2016), escrito por Carey e Chad Hayes, James Wan e David Leslie Johnson, dirigido por James Wan, com Patrick Wilson, Vera Farmiga, Madison Wolfe, Frances O´Connor, Simon McBurney e Franka Potente


Trailer – Invocação do Mal 2

*O crítico foi à pré-estreia à convite do Cine Roxy
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