Instrumentos Mortais – A Cidade dos Ossos

Se é impossível desprender Instrumentos Mortais – A Cidade dos Ossos da Saga Crepúsculo, o lado bom disso é que a nova franquia teen que deve fazer um monte de meninas gritarem desesperadas nas salas de cinema, sabe disso, parece muito bem resolvida Instrumentos Mortais - Cidade dos Ossos Postere, ainda por cima, surge para mostrar que com um pouco de esforço toda superficialidade do tema pode ser até divertida.

Mais uma vez uma garota (Lily Collins, filha do Phill e ex-Branca de Neve) com problemas com a figura paterna (dessa vez não conhece o pai) que tem um amigo apaixonado por ela acaba descobrindo um mundo que até ontem não achava existir, dessa vez um onde existe uma eterna guerra entre esses caçadores (meio anjos, ou algo assim) e todo resto de monstros, demônios, criaturas da noite e similares que povoam essa realidade.

No caso essa moça, Clairy, também não uma mundana (pejorativo para humano entre os “mocinhos”), mas sim tem na herança de sua mãe esse sangue que não só a torna uma caçadora, como uma das melhores e com mais poderes. Descoberta que então lhe obriga a correr atrás de um desses tais de “Instrumentos Mortais”, um cálice sagrado, ao mesmo tempo em que ainda tem que sair em busca de sua mãe, se apaixonar por um outro caçador, “descobrir” que o melhor amigo a ama e vestir muito couro.

Esse esquema do couro parece vir de um diretor de arte que viu muitos filmes do Blade, assim como no momento em que a ação passa por uma boate cheia de demônios e, mais tarde, em um covil de vampiros. O curioso é que o Designer de Produção é assinado por François Séguin, acostumado a trabalhos muito mais “realistas”, como a aventura Heróis, o remake de Karate Kid e até o canadense As Invasões Bárbaras, nenhum exemplo que lhe dê a experiência para o interessante trabalho que (fora alguns escorregões) ele consegue fazer, e que, sem dúvida nenhuma é o que mais valoriza “Instrumentos Mortais”.

A tal Cidade de Ossos e seus moradores, ainda que apareça extremamente pouco (muito menos que o suficiente para se tornarem o título do filme), é um labirinto de catacumbas presidido por umas figuras mais esquisitas ainda e que são um deleite visual. Assim com o Instituto (QG dos heróis) é uma opção enorme e tremendamente interessante em cada um de seus cômodos e salões. Um apuro com a produção que não nega o alto investimento no filme, e melhor, não esconde nada e ainda é celebrado com uma série interessante de efeitos especiais que, infelizmente acabam sendo pouco usados e de modo episódico demais.

Infelizmente, esse visual interessante não consegue inspirar nem a direção de Harald Zwart (que também fez o novo Karate Kid) nem o primeiro trabalho de Jessica Postigo por trás de um roteiro. O primeiro, o tempo inteiro no piloto automático e apenas com sua câmera ligada, em um trabalho incrivelmente pasteurizado e comum, que só é um desastre em razão do visual divertido. Já do lado do roteiro o buraco é bem mais embaixo.

Instrumentos Mortais - Cidade dos Ossos Filme

Ainda que com um material em mãos que se não é ótimo (não li o livro) está bem longe de ser ruim, Postigo não parece conseguir deixar essa história fluir do jeito mais interessante, torando então o filme uma montanha-russa com uma caída longa e lenta demais em seu meio. E isso, mesmo conseguindo fazer um ótimo trabalho na hora de ir apresentando esse mundo aos poucos e criando essa mitologia que faz sentido dentro do que se propõe, misturando bem situações históricas reais com fantasia, porém, não consegue manter essa qualidade, principalmente, quando é obrigada a salientar os pequenos arcos amorosos que permeiam o filme, optando por desenvolvimento em blocos. Uma pausa para os suspiros apaixonados, como em toda sequencia do aniversário da protagonista, que parece ser o começo, o meio, e o fim desse “namoro” entre ela e o Caçador vivido pelo pouco expressivo James Campbell Bower (que curiosamente esteve nos últimos três filmes da Saga Crepúsculo). Isso e um punhado de situações de ciúmes entre ele e o amigo dela (vivido por Robert Sheehan, que esteve em Caça às Bruxas, mas ficou famoso com a série de TV inglesas Misfits) que soa tremendamente bobas e forçadas.

É verdade também que, sobre tudo isso, todo esse drama e romance, o objetivo maquiavélico do livro (e consequentemente do filme) é colocar os dois apaixonados em uma situação que, verdadeira e corajosamente, impedirá que esse amor aconteça (pelo menos até o final do segundo ou terceiro livro/filme…) e que fará muito gente sair do cinema com um sabor de estranheza na boca, já que trata de um assunto que não deixa de ser delicado.

Mas talvez sobre tudo isso, o grande objetivo de Instrumentos Mortais – A Cidade dos Ossos seja queimar um vampiro no sol (ao invé de fazê-lo brilhar), transformar um lobisomem em um humano nu e lembrar que não é só por que ele vem na esteira da Saga Crepúsculo que ele precisa ser ruim como ele.


The Mortal Instruments: City of Bones (EUA/Ale, 2013), escrito por Jessica Postigo, à partir do livro de Cassandra Clare, dirigido por Herald Zwart, com Lily Collins, Jamie Campbell Bower, Kevin Zegers, Jemma West, Robert Sheehan, Lena Headey, Jared Harris, Jonathan Rhys Meyers e Kevin Durand


Trailer do filme Instrumentos Mortais – A Cidade dos Ossos

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