Fruitvale Station: A Última Parada | Pequeno em seu tamanho, mas enorme em sua sensibilidade e lição

Filme Fruitvale Station: A Última Parada

O caminho entre o real e a ficção às vezes é tão curto, separado por uma barreira tão fina, que é impossível caminhar por ele sem sentir, se emocionar e tomar para si a história desses personagens. Que é o caso desse Fruitvale Station: A Última Parada, pequeno em seu tamanho, mas enorme em sua sensibilidade.

Nele, o diretor estreante Ryan Googler conta a história dessa tragédia que interrompeu a vida do jovem Oscar Grant durante a noite de Ano Novo em 2009. Um tiro que saiu da arma de um policial durante uma confusão na estação de metro em Oaklanda que dá nome ao filme, mas parece rasgar a alma de todo e qualquer espectador logo nos primeiros minutos. O estampido soando através de uma das inúmeras gravações (de celulares) que presenciaram a ação.

E é exatamente essa tragédia anunciada o ponto central do filme. Não de modo melodramático, mas de uma certa melancolia com que todo o resto é apresentado, já que é impossível não sentir a dor de cada momento do última dia de vida de Grant. Um dia que, graças a um roteiro magnífico (escrito pelo próprio Googler), consegue não só apresentar o personagem, mas fazer qualquer espectador conhecer a fundo esse cara. E a cada segundo que passa é fácil ainda torcer para que aquele começo talvez não aconteça.

Mas acontece. E o diretor/roteirista sabe disso e com precisão, elegância e economia, mostra 22 anos em dia. Não um simples flashback (ainda que tenha um), mas sim uma lição de diálogos expositivos. Sem forçar barra alguma, nem perder tempo com nada, apenas um retrato preciso desse protagonista. Um retrato de alguém que ainda sofre pelas escolhas erradas do passado, mas que percebe que pode mudar e só depende dele para fazer isso.

Percebe tarde demais, e ai está o ponto principal do filme, essa sensibilidade à flora da pele que faz com que todos vejam cada um daqueles momentos como o último, como o derradeiro, o final do caminho daquele trem e o tiro que ecoa naquela gravação do começo do filme.

Filme Fruitvale Station: A Última Parada

Talvez Googler ¿ficcione¿ demais a história real, talvez até perca um pouco a mão ao fazer o trem e o assunto ¿morte¿ pairar tanto durante essa dia, tanto no horizonte quanto em todos que cruzam seu caminho, mas ainda assim tudo é feito de modo sutil. Uma sutileza que talvez só se perca um pouco lá para o final, com uma passada pelo hospital que não ajuda o ritmo de seus últimos momentos, mas que funciona para fechar bem a história e ainda dar mais um pouco de chances para o ótimo trabalho de Octavia Spencer, como a mão de Grant, aparecer.

E ainda sobre sutileza, talvez esse adjetivo seja o que mais possa ser usado para a extraordinária atuação de Michael B. Jordan como o próprio Ryan Grant. Sensível e beirando uma naturalidade incrível, Jordan cria esse jovem rapaz que estampa um sorriso em seu rosto, mas que, assim que não esta sendo observado, se deixa levar pela tristeza e pela dor. Não como uma previsão do que está por vir, mas sim pelo peso de suas escolhas.

Mas sobre tudo isso, Fruitvale Station: A Última Parada é um filme triste, cheio de esperança é verdade, já que é impossível não torcer pelo protagonista, mas ainda assim um filme esmagado pela sempre terrível e assustadora realidade. Que sempre é muito mais dolorosa do que qualquer ficção.


¿Fruitvale Station¿ (EUA, 2013), escrito e dirigido por Ryan Coogler, com Michael B. Jordan, Melonie Diaz e Octavia Spencer


Trailer do filme Fruitvale Station: A Última Parada

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