Êxodo começa com Moisés (Christian Bale) já adulto, auxiliando Ramsés (Joel Edgerton) num ataque a rebeldes. Aqui é definido que Moisés seria um melhor substituto ao Faraó Seti (John Turturro), o que é reconhecido pelo próprio Faraó, mas Ramsés é o sucessor. Logo, Seti morre, ou seja, o incompetente Ramsés deve assumir. Logo após a posse do novo Faraó, Moisés é revelado como judeu, o que o leva ao exílio. Ele se casa com Zipporah (María Valverde), tem um filho e se torna pastor (de cabras). Durante uma tempestade, Moisés é atingido por uma pedra e tem a visão da árvore pegando fogo. Deus – representado como um menino de 11 anos (Isaac Andrews) – lhe atribui a missão de libertar os judeus.

A história, todos conhecem, e nada muda nela. Esse, talvez, seja o maior pecado de Êxodo: não há qualquer reinterpretação do texto bíblico além da colocação de Deus como um menino mimado, que não aceita nada fora de seus termos. E isso não adiciona nada à história, apenas apresenta uma perspectiva do “comportamento” do Todo-Poderoso em relação àquela situação específica. Por alguns minutos, a ideia de que o menino seria a “consciência” de Moisés, com quem ele desenvolve uma conversa interna, pareceu promissora. Mas, no final, qualquer possibilidade desse conceito desaparece quando surgem as pragas.

Êodo: Deuses e Reis Crítica

O elenco é um outro problema. Se a escolha suscitou polêmica quanto ao branqueamento de personagens conhecidamente orientais e africanos, a opção por atores conhecidos do público não justifica nada. Êxodo é mal atuado de maneira geral: o Moisés de Christian Bale é robótico e parece não ter emoções além de raiva e um pouco de amor; Sigourney Weaver é desperdiçada ao máximo – se você piscar, é capaz de perde-la em cena –; John Turturro está esquecível; Aaron Paul tenta dar uma performance inspirada, mas é mutilado pela falta de importância de seu personagem na narrativa (e, também, mesmo com o bronzeamento, a barba e o cabelo, ele continua um cara de Idaho).

As atuações sofrem com a superficialidade dos personagens e com a pobreza do roteiro. São personagens demais e a essencialidade de todos é altamente questionável. Não que este excesso seja a causa para a falta de profundidade dos personagens. Não é, eles são construídos assim. Mesmo o protagonista Moisés não tem muito trabalho em seus conflitos. Quer dizer, é de se esperar que um homem que descobre que sua vida toda foi uma mentira, tem de abandonar sua família (duas vezes), fala com Deus e é perseguido pelo irmão adotivo tenha conflitos internos. Mas isso não acontece.

Êxodo tenta ser fiel ao texto bíblico, mas a simpatia dos mais religiosos é certamente perdida com um Deus imaturo, teimoso e vingativo. As grandes estrelas e o ar épico não atendem às expectativas, o que o deixa ineficiente como entretenimento para o público em geral. Assim, a questão continua: o que raios Ridley Scott estava tentando fazer?


“Exodus: Gods and Kings” (EUA, 2014), escrito por Adam Cooper, Bill Collage, Jeffrey Caine e Steve Zaillian, dirigido por Ridley Scott, com Christian Bale, Joel Edgerton, John Turturro, Aaron Paul, Ben Mendelsohn, Sigourney Weaver e Ben Kingsley.


Trailer – Êxodo: Deuses e Reis

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