Começo essa crítica dizendo: eu não vi Entourage, a série de TV. Não tenho essa base do universo da série, não sei como a narrativa se desenvolveu lá. Logo, posso ter perdido informações e referências fundamentais que fariam do filme uma obra prima. Mas acho difícil.

Entourage começa com uma lancha indo em direção a um iate, onde Vincent Chase (Adrian Grenier) está afundando as mágoas com uma festa cheia de mulheres estilo modelo após um casamento falido – que só durou nove dias. Na lancha, estão os amigos e fieis escudeiros de Vince, o amigo de infância e empresário Eric (Kevin Connolly), o irmão de Vince, Johnny (Kevin Dillon), e Turtle (Jerry Ferrara), que é dito o motorista de Vince, mas cuja função na história me é um mistério até agora.

Vince quer voltar ao trabalho, mas com novos desafios. Então, quando o seu antigo empresário e agora chefe de estúdio, Ari (Jeremy Piven), oferece a ele o papel principal na próxima super-produção de seu estúdio, Vince decide que quer dirigir. Flash forward para um ano depois, Vince dirigiu o filme, porém US$ 100 milhões não foram suficientes e ele precisa de mais dinheiro para finalizar o filme. Fica a cargo de Ari convencer o gigante texano do petróleo e principal financiador do filme (Billy Bob Thornton), bem como seu filho sem noção (Haley Joel Osment), a liberar mais fundos para a finalização do filme. Uma ideia que não agrada nenhum dos texanos.

Muita coisa acontece em Entourage. Porém, todos os acontecimentos parecem cacos de trama espalhados por toda a projeção, e quase nada contribui verdadeiramente para a narrativa vazia, conduzida por personagens igualmente vazios. O protagonista Vince é fraco e não possui qualquer complexidade: é o rostinho bonito e ponto. Assim, os holofotes se dividem entre Ari e Eric, que, de certa forma, causam empatia e efetivamente têm alguma história, mas que, ainda assim, não têm tempo em tela suficiente – nem trabalho em suas tramas – para que possam despontar como algo mais do que sidekicks. E, então, existe Turtle, que, junto a Eric, é um dos personagens menos caricaturados do filme, mas que não tem nenhuma – repito, nenhuma – função na história. Mesmo assim, são dele algumas das mais plausíveis cenas, com Ronda Rousey (interpretando ela mesma), sua paixonite.

Entourage Crítica

Entourage é um episódio alongado de série de TV. As pequenas tramas jogadas pelo filme têm cheiro de arcos narrativos em formação e os personagens inúteis, que na televisão podem ser importantes em outros episódios, ficam na sua inutilidade na narrativa fílmica. O uso quase abusivo de steady cams evidencia a influência da estética de TV no filme, e o andar e falar, que na tela de casa fica dinâmico, na tela grande dá a impressão de preguiça.
E é impossível não mencionar a mais uma vez – eles não se cansam – imagem depreciativa das personagens femininas. Ok, é um filme voltado para o público masculino, ok, o grupo principal é uma turma de “bros”. Não é motivo para todas as mulheres do filme serem ou as sensíveis ou as piranhas. Nem para todas serem modelos de biquini – especialemente considerando que Eric, Turtle, Vince e Johnny estão longe do Monte Olimpo. A única que se salva é Ronda Rousey. E só porque ela é quem é.

Cheio de referências – algumas divertidas, a maioria não -, Entourage entrega mais um filme machista e superficial que não sustenta seus 104 minutos e que se apoia nos muitos cameos para conseguir alguma reação do público. O mais engraçado é que, para um filme que busca mostrar os bastidores de Hollywood, Entourage nunca vai fundo nesse universo: Vince e seus amigos são fascinados por esse mundo e não há lugar para o espectador discordar.


“Entourage” (EUA, 2015) escrito e dirigido por Doug Ellin, com Kevin Connolly, Adrian Grenier, Kevin Dillon, Jerry Ferrara, Jeremy Piven e Emmanuelle Chriqui.


Trailer – Entourage: Fama e Amizade

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Uma resposta

  1. Daniel

    O filme foi feito claramente para os fâs da série, que teve 8 temporadas na HBO. Logo sua análise não serve para nada, já que você mesmo admitiu que nunca viu a série. Perdeu completamente o sentido.

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