Que os cinemas estão lotados de adaptações de super-heróis não é novidade nenhuma. O que eles não sabiam é o quanto precisavam de Deadpool.

E por mais que nada no filme dirigido por Tim Miller possa ser levado à sério, isso é bem sério. Em meio aos Zack “Monocromático” Znyder na DC e a Marvel e sua (já!) complicada cronologia, o mundo das adaptações de quadrinhos precisava relaxar um pouco e dar risada de si mesma. E essa é a missão principal para o mercenário mais verborrágico da Marvel.

Com isso em mente e com a presença de Rhett Reese e Paul Wernick nos roteiros, dupla que já tinha sacaneado o gênero dos mortos-vivos em Zumbilândia, “Deadpool” é essa comédia que ao mesmo tempo é um deleite para os fãs que aproveitarão o enorme número de referências, mas também diversão garantida para quem entrar no cinema em busca de algo minimamente novo dentro do gênero.

O personagem nasceu nas páginas mutantes da Marvel (por isso foi vendido para a Fox, junto do Wolverine e cia… sem esquecer que até “participou” do primeiro filme do mutante das garras de adamantium). Mas esqueca esses parênteses, assim como qualquer outro possibilidade de cronologia, e não se surpreende se o próprio Deadpool perguntar de qual linha temporal ele é (“Patrick Stewart ou Jame McAvoy?”) ou até onde estão os outro mutantes da escola. E é para isso que ele está aí, para discutir o quanto todo o resto é até meio bobalhão.

Deadpool então é aquele momento em que o gênero se perdeu tanto em sua autofagia, que uma sátira bem feita surge para discutir o quanto tudo pode estar se fragilizando e ninguém percebendo. Uma crítica ao próprio marasmo em que o gênero se encontra.

E para fazer isso, Deadpool antes de qualquer coisa precisa ser um “filme de super-herói” competente, e isso ele faz. Começa cheio de ação e intercala sua gênese enquanto o mercenário Wade Wilson (Ryan Reinolds) descobre ter um câncer terminal e aceita fazer um tratamento esquisitão que não só o curará, como forçará o nascimento de uma mutação. Só que tudo dá meio errad e ele acaba sendo torturado antes de “ganhar” um “fator de cura mutante” (igual ao do Wolverine), em contrapartida, acaba ficando deformado como um “abacate que transou com um abacate mais velho ainda”.

Deadpool Crítica

Wade então parte para um vingança contra o cara que o transformou em um “testículo com dentes” esperando que ele possa reverter esse processo e assim poder voltar aos braços de seu grande amor vivido pela brasileira Morena Baccarin. Já o traje vermelho, é só para ninguém vê-lo sangrando.

E o quem vem depois disso é realmente um filme de ação onde Deadpool empilha mais e mais corpos enquanto vai chegando perto de seu algoz para uma batalha final. Então nada de “inventar a roda”, muito pelo contrário até, se satisfazendo bem com um trama simples e até sem muitas surpresas, mas com um humor rasgado, ácido e cara-de-pau que faz valer a pena. É a quantidade enorme de piadas, que compões toda e qualquer sequência é que faz Deadpool se tornar além da média.

Por isso, em meio a uma enxurrada de filmes de super-heróis e adaptações de quadrinhos, quase sempre feitas no piloto-automático e contando apenas com o hype para conquistar suas filas e filas de espectadores, estar além da média já é uma grata surpresa.


“Deadpool” (EUA, 2016), escrito por Rhett Reese e Paul Wernick, dirigido por Tim Miller, com Ryan Reynolds, Ed Skrein, Stefan Kapicic, Brianna Hildebrand, T.J. Miller e Morena Baccarin.


Trailer – Deadpool

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