Culpa | Tenso, instigante, envolvente e surpreendente

A Culpa Filme

Selecionado pela Dinamarca para representar o país no Oscar 2019, Culpa utiliza muito bem seus elementos mínimos para contar uma história tensa, instigante e envolvente, isso, ainda repleto de reviravoltas eficientes. Da direção cuidadosa ao belo trabalho do protagonista, Jakob Cedergren, a produção ganha ares de grandiosidade mesmo adotando uma linguagem contida.

O policial Asger Holm (Jakob Cedergren) encontra-se afastado das ruas por algum motivo que (pelo menos ainda) não sabemos e, por enquanto, está confinado a atender aos telefonemas que chegam para a emergência de Copenhague. Seu turno vai se encerrar em pouco tempo e, no dia seguinte, há a última audiência antes de a polícia determinar se ele está ou não apto a retomar suas atividades regulares. Mas, quando Asger recebe a ligação de Iben (Jessica Dinnage), uma mulher que acaba de ser sequestrada, a noite do policial vira de cabeça para baixo.

O diretor Gustav Möller, que também assina o roteiro ao lado de Emil Nygaard Albertsen, se sai particularmente bem na maneira com que estabelece a personalidade do protagonista. Especialmente no início de seu contato com Iben, a ânsia de Asger para tomar decisões, investir o caso e orientar os demais atendentes o que, é claro, está fora de sua atual alçada parecem resultado principalmente do fato de que ele é, afinal de contas, um policial, que não consegue colocar seus treinamentos e instintos de lado e deixar uma vítima nas mãos de outras pessoas que, na visão dele, são menos capacitadas para lidar com a situação.

Mas, como fica cada vez mais claro, Asger também tem uma perigosa tendência a presumir, a agir sem saber todos os fatos, a seguir em frente sem dar atenção para fatores (ou pessoas) que possam colocá-lo fora do caminho que ele já decidiu seguir. Há, ainda, a possibilidade de ele agarrar-se a essa missão como forma de redimir-se por algum acontecimento anterior. Assim, seu talento como policial mescla-se às características que levaram ao tal acontecimento que afastou-o de seu cargo e, enquanto isso, há uma mulher precisando de ajuda.

A Culpa Crítica

Como a ação concentra-se exclusivamente no espaço da emergência, e principalmente no protagonista, Möller investe em movimentos de quadro elegantes e em planos desapressados para estabelecer o tom da narrativa. Assim, a câmera mantém-se calma e estável enquanto Asger e o espectador envolve-se cada vez mais com a situação de Iben que, como ele descobre cada vez mais, é apenas o estopim de algo ainda mais complexo. Tudo o que vemos e ouvimos em Culpa é diegético, ou seja, faz parte do universo do filme, e isso nos insere ainda mais no conflito de Asger. Aliás, é interessante perceber que o longa trabalha para nos colocar inicialmente ao lado do protagonista, mas essa conexão torna-se mais tênue conforme a trama se desenrola.

Dessa forma, Culpa mostra-se um thriller inteligente e repleto de tensão, com reviravoltas que nem sempre são surpreendentes, mas consistentemente interessantes na forma com que surgem na narrativa. Elevado também pelo belo trabalho de Cedergren, que apresenta com cuidado cada nuance do protagonista, uma obra “em tempo real” que promete capturar a sua atenção a cada segundo.

Esse texto faz parte da cobertura da 42° Mostra Internacional de Cinema de São Paulo


“Den Skyldige” (Din, 2018), escrito por Gustav Möller e Emil Nygaard Albertsen, dirigido por Gustav Möller, com Jakob Cedergren, Jessica Dinnage, Omar Shargawi, Johan Olsen, Jacob Lohmann, Katinka Evers-Jahnsen, Laura Bro e Jeanette Lindbæk.


Trailer do filme – Culpa

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