Com Todo Meu Hipotálamo | Sobre a beleza

Com Todo Meu Hipotálamo

Se há uma coisa que Com Todo Meu Hipotálamo nos ensina é que o ser humano não pode viver sem a beleza. E não se trata dessa beleza abstrata, pós-moderna, localizada em privadas sanitárias espalhadas em museus que sistematicamente ofendem nosso senso estético. De jeito nenhum. A beleza que o filme trata é a mais simples, pura, instintiva: a mulher desejada.

Ela pode ser desejada por ser voluptuosa, linda de rosto, jovem, se veste bem ou todos juntos. Não importa. Aqui temos quatro homens que interagem de diferentes formas com ela apenas para poder por alguns segundos admirar a beleza pura de nossos desejos mais internos.

Para ressaltar a beleza de uma mulher Com Todo Meu Hipotálamo tem como cenário uma cidade grande, nas Filipinas, que mescla trânsito, poluição e pobreza em um filtro escuro e pouco convidativo. Dessa forma essa mulher e seus lábios geram um contraste que o diretor faz questão de mostrar na primeira cena, apesar do clichê, em câmera lenta com música romântica.

Com Todo Meu Hipotálamo

Esse é um filme que desafia o status quo do mundo atual, com seus hinos anti-machismo e objetificação da mulher. Mas bem tanto. Aileen, a desejada, interpretada pela linda Iana Bernardez, é uma pessoa agradável além de bonita, o que meio que equilibra a balança. De qualquer forma o filme ainda parece na contramão da seleção da Mostra de São Paulo, cada vez mais entregue ao conformismo das vozes que gritam mais alto. Então é uma pedida enviesada interessante.

As atuações são bem humoradas e criam uma tragicomédia mais comédia que “tragi”. As risadas sobre a fascinação que uma mesma mulher gera em diferentes homens também serve como identificação do espectador masculino, que com certeza já teve uma crush para fazer papel de bobo.

O inesperado no filme é seu final, catártico, mas que parece estragar toda a tensão construída. Uma análise interessante sobre o que nos faz manter o interesse em um objeto cobiçado. Dica: ele estar inalcançável conta muitos pontos. Mas como todos possuem o direito a sonhar, que seja com uma coisa bela.

Esse texto faz parte da cobertura da 42° Mostra Internacional de Cinema de São Paulo


“Gusto Kita with All My Hypothalamus” (Fil, 2018), escrito e dirigido por Dwein Baltazar, com Iana Bernardez, Nicco Manalo, Anthony Falcon.

Trailer do Filme – Com Todo Meu Hipotálamo

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