Surpreendente mesmo é em meio a gigantes do entretenimento e cascudas de comic-cons como Fox, Warner e Sony, quem acabar fazendo um dos painéis mais redondinhos da CCXP seja a Globo. E olha que tinha tudo para dar errado.

O comediante Marcel Adnet imitando Agnaldo Timóteo, Tonho da Lua e o recém-eleito prefeito de São Paulo, João Dória, abre o Painel e você, sentado ali no Auditório Cinemark poderia pensar “Ah não, agora ele vai ficar fazendo stand-up por duas horas”. Mas ai você se engana, já que sem inventar nada a Globo é quem se dá melhor. Adnet apresenta atração atrás de atração, os atores, diretores e roteiristas entram e saem do Painel e, para completar, o comediante nerd Fernando Caruso surge em meio à plateia para deixar, pela primeira vez, o público falar.

Os primeiros a entrarem no palco são a sempre bem humorada Monica Iozzi, o pouco simpático Tony Ramos e o roteirista Alexandre Machado. O trio vem divulgar a série Vade Retro, sobre uma advogada que acaba sendo contratada por um cliente “um tanto quanto diabólico”. O painel segue com um trailer que deixa a impressão de um material ágil, engraçado e situações realmente inesperadas.

Infelizmente Ramos perde a compostura ao negar “laboratórios dramáticos” e acaba sendo mal educado com Adnet (que obviamente estava fazendo uma brincadeira), mas pelo menos Iozzi tira de letra os escorregões do companheiro de tela e até faz um brincadeira com a situação política nacional (“Beijo Temer”) ao afirmar que a série é muito mais sobre o Diabo que cada um tem dentro de si do que da figura bíblica.

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Na sequência, Carcereiros, serie que adapta o livro homônimo de Dráuzio Varella. No palco, o criador da série Fernando Bonassi e o diretor Eduardo Belmont falam sobre o conceito da série, que obviamente, mostra a vida desses carcereiros, “esses caras que estão presos por profissão”, explica um deles e completa: “ali dentro, a única arma deles é a palavra”.

A prévia da série mostra um elenco de primeira, com Rodrigo Lombardi na ponta, participações de nomes como Caio Blat, Toni Tornado e mais um monte de caras conhecidas. Mas o trailer também apresenta um conceito que talvez acabe atrapalhando o ritmo da série: a inserção de entrevistas com carcereiros reais. Ou no final das contas a ficção não foi suficiente, ou uma vontade de ser real acabará estregando uma ideia boa, é esperar para ver.

E quem disse que a Globo não falaria de quadrinhos, se deu mal. A próxima atração de seu painel é o anúncio em primeira mão de Zózimo, espécie de noir carioca inspirado na HQ de Wander Antunes e desenhada por Gustavo Machado e Paulo Borges. O personagem foi estrela do compilado O Corno que Sabia Demais – E outras aventuras de Zózimo Barbosa, publicada em 2007.

A série está marcada para estrear no segundo semestre e tem Vladimir Brichta no papel título desse detetive meio imoral nos anos 50 do Rio de Janeiro, com maridos traídos e uma fauna inteira de personagens à sua volta.
Por fim, entre as estreias da Globo, Bruno Mazzeo sobe ao palco para comentar sua série Filhos da Pátria, estrelada por Fernanda Torres e Alexandre Nero, vivendo pais de uma família de classe média brasileira durante o Brasil colônia, na verdade, justamente no dia seguinte à Proclamação da República. Mazzeo confirma na série uma procura por essa identidade brasileira, “o tal jeitinho”, e como tudo isso nasceu. Ao mesmo tempo tenta levar para esse período histórico uma série de referência sócio-políticas atuais (com direito até a um “Fora Pedro!”).

Indo para o território das renovações, o painel ainda fala um pouco sobre as próximas temporadas de Zorra e Tá no Ar. O que acaba se tornando uma grande “rasgação de seda” entre o próprio Adnet e seu companheiro de programa Marcius Melhen.

E se a Globo soube exatamente o que fazer, o que vem na sequência é um misto de chatice com falta de interesse. Desgarrado do painel da Netflix (que só aconteceria no último dia de CCXP), “3%” chega ao palco com sua equipe técnica de diretores, o roteirista Pedro Aguillera e o diretor geral Cesar Charlone. Com pouco para discutir e nada para acrescentar, o palco ainda é invadido pelo elenco antes de terminar a apresentação. E o deslocamento é tão grande que a grande notícia para os fãs da série (sua renovação) acaba ficando jogada lá no painel da Netflix.

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Adiantando para manter o gancho, o segundo dia de CCXP ainda fecharia os trabalhos com mais uma produção nacional: O Rastro. Em um painel rápido que recebeu (em pé mesmo) os protagonistas do filme Leandra Leal e Rafael Caruso, além do diretor J. C. Feyer.

Com pretensões até de chegar ao mercado internacional, o trailer mostra um clima e um visual interessantes com essa história se passando em um hospital perto de ser desativado e uma antiga ala descoberta pelo personagem de Caruso. Empolgada e sem deixar mais ninguém falar, Leal fecha o segundo dia de CCXP, mas aqui na nossa cobertura ainda temos Fox.

“Desliguem suas máquinas fotográficas e celulares”

É lógico que quando um painel é aberto assim o que todos esperam é conteúdo exclusivo até o teto do Auditório Cinemark, mas infelizmente não é isso que acontece. Ou acontece, mas não com aquele material exclusivo que você pudesse estar esperando.

Os trabalhos abrem com Assassins Creed, aquele trailer novo (que já não é mais novo), Michael Fassbender dando aquele “oizinho” e um trecho inédito do filme. A cena acompanha o personagem em meio a uma aparente execução dele e de seus companheiros em meio a Espanha da Inquisição. Os personagens então se soltam, travam uma luta visualmente interessante e fogem pelos tetos da cidade, para o deleite dos fãs que ainda estavam com um pé atrás. A impressão que fica é de uma fidelidade visual e narrativa que não deixa o diretor Justin Kurzel preso ao game, mas com certeza se esforçando para levar o mundo do jogo para as telas dos cinemas.

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O painel segue com a presença de um dublê do filme falando sobre como foi fazer o famoso “Salto da Fé” dos games na vida real de uma altura de 35 metros. Na sequência ele ainda recebeu uma convidada do público para ensiná-la a cair em um colchão, mas nesse momento todos já estavam pensando em Alien: Covenant e a continuação de Kingsman. Infelizmente não é isso que acontece.

Não que O Poderoso Chefinho e Lino não estejam à altura de serem destaques em um evento desse tamanho, mas a impressão que fica é de uma necessidade de preencher o espaço do painel com algo, ainda que não vá empolgar muita gente.

Nenhuma das duas prévias acaba se mostrando inédita, por mais que ambas arranquem algumas boas risadas e vendam bem seu material. O primeiro, sobre um bebê com a voz de Alec Baldwin e uma personalidade incrível que chega a uma família para enfrentar uma ameaça que colocará o amor em perigo. Por sorte o visual é bom demais, porque a trama não empolga ninguém.

Que é, justamente, o contrário de Lino, animação completamente feita no Brasil pela mesma equipe do sucesso O Grilo Feliz. Dessa vez, uma história mais adulta sobre um animador de festas azarado que acaba sendo enfeitiçado e se transformado em um gato gigante (igual o de sua fantasia). O visual caprichado mostra o grande momento das animações nacionais e a prova de que a técnica tem um futuro promissor pela frente.

E nesse momento o painel da Fox teria tudo para fechar com chave de ouro, principalmente para quem chegou na CCXP e deu de cara com o enorme stand do estúdio. De um lado um o macaco Caesar de Planeta dos Macacos: A Guerra te encarando, na sequência uma daquelas brincadeiras de escapar da sala com o tema do novo “Alien”, ao lado uma barbearia de Kingsman: O Círculo Dourado, atrás disso tudo, Logan. E sim, tudo isso apareceu no painel… mas… sabe como é…

Alien: Covenant traz um vídeo de Ridley Scott falando que os eventos do filme acontecerão 10 anos depois de Prometheus e que o filme será sobre uma equipe de colonizadores/exploradores que descobrem um planeta que mais parece um paraíso, mas que esconde um monte de segredos. Scott ainda garante que muitas perguntas serão respondidas e que o filme voltará a apostar um pouco naquele terror claustrofóbico do primeiro. Resumindo, ele diz tudo que todos querem ouvir, mas ele também tinha feito isso em Prometheus e no final das contas o que não faltou foram pontas soltas.

E se Covenant não tinha nenhum material exclusivo, Planeta dos Macacos: A Guerra pelo menos mostra um trecho onde uma equipe de humanos tenta invadir o covil dos macacos e se dá mal. Também apresenta um teaser (ou um trailer, não sei mais a diferença entre eles!) onde o personagem de Woody Harrelson é apresentado como um militar careca com olhar de psicopata.

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Já sobre Kingsman, bom… quem estava no Auditório ficou sabendo que Jeff Bridges estará no filme, assim como Pedro Pascal, e só.

Eis então que algo inesperado acontece, já que entra em cena A Cura, novo filme de terror do diretor Gore Verbinski (não esqueçam que sua carreira praticamente começo com o remake de O Chamado). Tanto uma pequena prévia, quanto o trailer, parecem envoltos em um mistério onde nada é o que parece, uma espécie de água que cura e um lugar que ora parece um spa, ora parece uma prisão/manicômio. Como é de se esperar, Verbinski capricha no visual e garanto que todos ficaram com vontade de conferir o filme.

Mas ou menos o que acontece com todo e qualquer nerd ou fã que algumas semanas atrás deu de cara com o primeiro trailer de Logan, aquele com Johnny Cash. Então, para não perder a chance, mais Logan e mais Johnny Cash, já que há essa hora todos já devem ter decorado a letra inteira. Na sequência, uma cena exclusiva onde Logan a tal da garotinha que parece estar no centro da trama e o Professor Xavier jantam com uma família e jogam conversa fora.

E se você estava esperando algo como as teias no sovaco do Homem-Aranha, o melhor mesmo foi ir para casa com uma pitadinha de decepção, mas ainda assim a certeza de ter tido um dia com uma enxurrada de novidades. Ok, nada de tão empolgante, mas as novidades estavam ali.

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