Há filmes demais em que a figura materna existe apenas para mover a história do filho — apoiando-o ou colocando-se como obstáculo, conforme pedido pelo roteiro. Nesse contexto, muitas dessas mães são praticamente figurantes da família, pois o que importa mesmo é a relação dos filhos com o pai.

Isso, claro, está longe de ser a realidade. Quando um cineasta (ou, melhor ainda, uma cineasta!) se compromete a construir uma personagem que, entre outras tantas coisas, também seja mãe, é possível conceber um retrato complexo da maternidade — repleto de dúvidas, erros, amor, perseverança… Além disso, é claro, há aquelas personagens que não se encaixam na ideia positiva que temos da maternidade.

A seguir, confira uma lista — em ordem alfabética — de dez filmes que lidam com a maternidade, como tema central ou não. Muitas obras interessantes ficaram de fora, claro — deixe seu comentário e conte pra gente quais são suas mães preferidas do cinema!

Advantageous

Escrito, dirigido e estrelado por mulheres, Advantageous é imperdível para os fã de obras de ficção científica originais e inteligentes. Ambientado em local e período não identificados, o filme nos apresenta a uma sociedade à beira do colapso — o que leva as mulheres a se tornarem trabalhadoras descartáveis e, ainda, escravas da indústria da beleza, que vê com maus olhos o simples ato de envelhecer.

Nesse contexto, acompanhamos o relacionamento entre Gwen (Jacqueline Kim, que escreveu o roteiro ao lado da diretora Jennifer Phang) e sua filha, Jules (Samantha Kim) — que sofre uma mudança brusca no terceiro ato. Advantageous também apareceu na nossa lista dos dez melhores filmes de ficção científica disponíveis na Netflix.

Advantegeous Filme

Aliens, O Resgate

Sequência do clássico de Ridley Scott, o filme de James Cameron é considerado por muitos como superior ao original — especialmente para quem preferir a ação eletrizante deste em relação à construção gradual da atmosfera de terror do outro. Independente de sua preferência (a minha fica com Alien), este é sim um excelente filme e uma sequência à altura da obra precedente. Aqui, acompanhamos dois tipos bastante distintos de maternidade — depois de décadas dormindo, Ripley (Sigourney Weaver) acorda e recebe a notícia de que sua filha, com quem nunca teve uma relação profunda devido ao pouco contato, morreu.

Em uma missão de resgate de uma colônia infestada pelos alienígenas, Ripley acaba vendo-se no papel de “mãe adotiva” da pequena e esperta Newt (Carrie Henn) — enquanto enfrenta a Rainha Alien, que quer proteger seus ovos. Ripley, claro, é uma das personagens mais icônicas da ficção científica — se você ainda não a conhece, não perca mais tempo!

Aliens, o Resgate

The Babadook

Escrito e dirigido por Jennifer Kent, The Babadook é um dos filmes de terror mais interessantes dos últimos anos. Mantendo uma atmosfera tensa e sufocante o tempo todo, o longa aborda a depressão, solidão, ansiedade e insegurança de Amelia (Essie Davis) enquanto ela lida com uma situação cada vez mais complicada e exaustiva com seu filho, Samuel (Noah Wiseman) — que encontra-se apavorado e instável depois de ler um misterioso livro.

Isso se torna ainda mais difícil pelo fato de Amelia ainda não ter superado a morte do marido, que faleceu no dia em que seu filho nasceu. Um filme envolvente sobre os medos, incertezas e os sentimentos de impotência e pavor que envolvem a maternidade.

Babadook Filme

Carol

Maternidade não é o tema central de Carol — este é o romance entre a personagem-título (Cate Blanchett) e a protagonista, Therese (Rooney Mara) —, mas o filme de Todd Haynes nos apresenta a uma situação, infelizmente, ainda recorrente. Na Nova York da década de 50, o ex-marido de Carol está determinado a manter a filha pequena do casal longe da mãe, para manter a garota afastada dos hábitos “perversos” da mulher — ou seja, do fato de ela ser lésbica.

E, mesmo arrasada por ficar longe da filha, Carol se recusa a ignorar parte de si mesma para agradar ao marido e a uma sociedade atrasada. As coisas melhoraram muito, claro — mas ainda há muita gente que acredita que casais gays não deveria ter ou adotar crianças, pois isso foge da ideia da “família tradicional”. Carol é, portanto, uma amostra de quanto já progredimos e, também, do quanto ainda temos que evoluir.

Carol Filme

Os Incríveis

“Deixar a tarefa de salvar o mundo para os homens? Acho que não!” Escrita e dirigida por Brad Bird, a excelente animação da Pixar constrói uma família carismática e realista ao trazer uma dinâmica de igualdade entre o Sr. Incrível e a Mulher-Elástica — que, em termos de habilidades e heroísmo, não deixa nada a dever para seu marido.

Os Incríveis Filme

Juno

Um descuido adolescente resulta em uma gravidez, mas por que isso deveria alterar o rumo de uma vida inteira? Fenômeno do cinema independente quando foi lançado, em 2007, Juno conquistou o público com seu diálogo esperto, trilha sonora inspirada e, claro, o carisma de Ellen Page, que vive a protagonista.

O filme mostra que não há problemas em assumir que você ainda não está pronta para a maternidade, e encontrar uma solução para isso — que, aqui, envolve ajudar uma mulher que sempre sonho em ser mãe, mas não consegue engravidar. A terceira figura materna é Bren (Allison Janney), a sarcástica e carismática madrasta de Juno. Esta foi a primeira parceria entre a roteirista Diablo Cody e o diretor Jason Reitman, que voltariam a trabalhar juntos em “Jovens Adultos”.

Juno Filme

Precisamos Falar Sobre o Kevin

Nem toda mulher possui o instinto materno — mas o que acontece quando uma delas tem um psicopata como filho? Repleto de questionamentos psicológicos complexos, Precisamos Falar Sobre o Kevin é uma adaptação memorável do igualmente fascinante livro de Lionel Shriver, que chegou aos cinemas nas mãos da diretora e roteirista Lynne Ramsay (o roteiro foi escrito ao lado de Rory Stewart Kinnear).

Eva Khatchadourian (Tilda Swinton) nunca quis engravidar e, desde o nascimento de Kevin (Ezra Miller), nunca sentiu amor pelo garoto. Entretanto, ela se vê cada vez mais perturbada pelo comportamento estranho do menino — coisas que seu marido, Franklin (John C. Reilly) enxerga como “coisas de garoto”, levantamento também questionamentos sobre a falta de controle que os pais permitem aos filhos, mas jamais iriam tolerar de suas filhas.

Precisamos Falar Sobre o Kevin Filme

O Quarto de Jack

Mais recente lançamento da lista, O Quarto de Jack rendeu um merecido Oscar de melhor atriz à excelente Brie Larson — que, aqui, nos apresenta a uma personagem complexa, complicada e forte, mesmo que em uma situação fragilizada. Sequestrada na adolescência e mantida em cativeiro por um homem que a estupra com frequência, Joy (chamada com mais frequência, simplesmente, de “Ma”) teve um filho, Jack (Jacob Tremblay) — que, agora com cinco anos, nasceu e cresceu sem conhecer nada além do Quarto onde os dois moram.

Para manter o menino em segurança e conforto, Joy cria um mundo para ele — um mundo onde tudo o que existe é o Quarto e homem que, toda semana, aparece com comida e, de vez em quando, algum presente. Retrato multifacetado do amor e da determinação de uma mãe por seu filho, O Quarto de Jack também lida muito bem com as consequências do ocorrido em ambos os personagens — além de como a relação deles, naturalmente, muda com o desenrolar da trama.

O Quarto de Jack Filme

Valente

A primeira animação da Pixar com uma protagonista feminina acerta ao centrar a trama no relacionamento entre mãe e filha, e sobre a importância de, quando necessário, desafiarmos nossos pais — mas erra ao ousar pouco na história, que nos apresenta a uma princesa destemida e independente que precisa escolher um pretendente. Mesmo assim, Merida é uma personagem fantástica, e o filme merece ser conferido.

Valente Filme

A V!da Acontece

Escrito por Kat Coiro (que também dirige) e Krysten Ritter (que também estrela), A V!da Acontece é uma comédia simpática que acompanha uma jovem mulher festeira que engravida após uma noite com um desconhecido. Temendo as mudanças que deverão ocorrer em sua vida com a chegada do bebê, ela percorre essa nova fase ao lado de sua melhor amiga, Deena (Kate Bosworth). Se você virou fã de Krysten Ritter depois de vê-la na pele da heroína relutante Jessica Jones, aproveite para conferir esta sua estreia como roteirista — também disponível na Netflix.

A Vida Acontece Filme

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