Casa do Medo – Incidente em Ghostland | Obrigatório para os fãs de terror

A Casa do Medo Filme

Pascal Laugier, diretor de A Casa do Medo – Incidente em Ghostland, foi um dos responsáveis por um pequeno movimento do cinema francês no começo do século, cheio de terrores que deixavam um pouco o sobrenatural de lado e apelavam para uma violência “real”. Na verdade, uma quase volta no tempo dentro do gênero, quando bastava uma família de caipiras para acabar com as férias de qualquer um.

Laugier em 2008 dirigiu Martyrs, um filme sufocante e que beira o limite da estranheza (que foi refilmado recentemente por Hollywood somente para demonstrar o quanto a sua versão original era melhor). A Casa do Medo não é tão impressionante quanto Martyrs, mas, assim como ele, aposta na inteligência de seu espectador e na capacidade de surpreende-lo.

Em ambos, sentado na poltrona do cinema, todos se permitem mergulhar em um lugar comum tão consistente e acalentador que não esperam a reviravolta que os fará afundar em seus assentos. “Afundar” de verdade, já que o que vem depois é incômodo, um pouco visceral demais e surpreendente. Resumindo: tudo que o fã do gênero mais quer.

Em A Casa do Medo, que também é escrito por Laugier, Beth e Vera são duas adolescentes meio chatinhas (cada uma a seu modo) que se mudam com sua mãe para a casa da tia falecida. Umas daquelas mansões de filme de terror onde a direção de arte faz questão de juntar em um mesmo cômodo, dezenas de fobias, badulaques empoeirados e esquisitices. Um cenário clássico para o ataque de algum psicopata maluco. Que é o que acontece.

Anos depois, Beth, agora uma escritora renomada, acaba tendo que voltar para a casa para encontrar a mãe e a irmã, essa, ainda movida pela tragédia da juventude. Mas como eu disse lá no começo, nada é o que parece.

E ai está o lado mais divertido do filme, te colocar em uma situação confortável e quentinha, mesmo tendo ido direto ao assunto em um primeiro arco movimentado e divertido. Isso, para depois te arrancar com violência desse lugar onde você já tinha se acostumado e deixar um gosto amargo de realidade em sua boca.

A Casa do Medo Crítica

Eficiente, pois Laugier não esconde o quanto monta sua estrutura através de um sistema de “dicas e recompensas” que permitem que todo o filme se construa na cabeça do espectador como uma torre de referências. Quando Beth pega um jornal no começo da trama, se em qualquer filme você acreditaria naquilo como um prenúncio, a obviedade é tamanha que você tira aquilo de sua expectativa. Assim como (tentando não dar spoilers) o “presente” se monta através dos resquícios de informações do passado.

Essa ideia acaba sacrificando muito da complexidade possível da trama, já que precisa apelar para motivações mais simples e dinâmicas entre personagens que sejam muito mais simplistas, já que, na hora do nó, é preciso manter a coerência de referências. Isso faz com que A Casa do Medo se torne pouco criativo na maioria das soluções que não estejam ligadas à tal reviravolta. O que não atrapalha, mas tampouco faz com que o filme seja tão celebrado e inesquecível como, por exemplo, o Martyrs de Laugier ainda deveria de ser.

De qualquer modo, A Casa do Medo, mesmo com o título ruim e genérico, ainda tem uma quantidade de sustos, tensão e gore que respondem bem às expectativas criadas por mim aqui nesse texto (e pela reviravolta que move o filme), e o tornam um dos grandes filmes de terror do ano. Um daqueles que não pode ser ignorado por nenhum fã do gênero.

(e aqui um “meio spoiler”) Um filme de terror que aposta na possibilidade complicada de discutir a ideia de que o delírio pode ser um método de fuga eficiente e que encarar a realidade pode ser doloroso o suficiente para fazer você se esconder em um canto escuro da sua mente. Diferente de Martyrs, onde sua protagonista descobre o sublime através da violência, A Casa do Medo – Incidente em Ghostland te convida a fugir para esse lugar seguro, mesmo às custas da sua sanidade.


“Incident in a Ghostland” (Fra/Can, 2018), escrito e dirigido por Pascal Laugier, com Crystal Reed, Mylène Farmer, Anastasia Phillips, Emilia Jones, Taylor Hickson


Trailer – A Casa do Medo – Incidente em Ghostland

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