Até Mais e Obrigado pelos Oscars

Talvez o Oscar tenha realmente sido mais rápido do que o dos outros anos, e não só pela sua duração, mas pela impressão maior ainda de que, mesmo com toda pretensão, nada mudou. É lógico que muita gente vai falar que pela primeira vez um filme não americano levou a estatueta de melhor do ano, mas até onde isso realmente quer dizer que algo?

Em busca da “alma” da sétima arte a Academia encheu sua premiação de referências clássicas e, realmente, se esforçou para sair do marasmo chapado que a premiação de 2011 teve, com James Franco desconfortável (e chapado) e Anne Hattaway, sendo apenas Anne Hattaway. Um Oscar que se contentou em premiar o menos impopular, mesmo tendo em mãos um dos anos mais competente que a Academia poderia ter.

É lógico que essa escolha sem graça só é possível pelo método displicente de contagem de votos que permite, por exemplo, que se um filme aparecer em todas as cédulas no segundo lugar ele sequer fique entre os finalistas da maior categoria. Mas mesmo assim, não é o método o problema, mas sim o resto, a falta de tentar ser mais que o mesmo, e um aparente conforto masturbatório ao fingir fazer mais do que, realmente, faz.

Drive FilmeO Artista ganhou o Oscar, essa homenagem ao cinema mudo e preto e branco, A Invenção de Hugo Cabret levou cinco prêmios, com toda sua poesia em volta do começo do cinema fantástico de Georges Meliés, Meryl Streep depois de quase duas dezenas de indicações, ganhou mais um Oscar e até Rango, em todo seu western clássico, levou para casa o careca dourado, mas é o que vem por trás disso que coloca em prova até onde a Academia realmente está preparada para um novo cinema.

Até onde a Academia e seus “velhinhos” está preparada para aceitar que Andy Serkis era o macaco César, e não um punhado de pixels, assim como até quando o mundo verá exemplos dignos de um cinema moderno como Drive e até o pessimista “Melancolia” serem ignorados por razões completamente deturpadas. Tudo ao mesmo tempo em que ela mesma prefere festejar exemplos enfraquecidos de um cinema sem vida como o exagerado Cavalo de Guerra somente por acabarem sendo enganados como as grandes platéias o foram pelo mundo.

Os mesmo “acadêmicos” que não perceberam que uma torta de cocô e uma história que prefere virar a cara diante do real problema do que encará-lo, mesmo ele estando ali à sua porta, não faz disso uma luta pelos direitos humanos, assim como um diretor não precisa ser encarado como um indicado automático sem nem que seu filme seja visto, só por que ele foi lembrado em tantas outras vezes, ambos (e ainda o cavalo do Spielberg) só por que a platéia sai do cinema em prantos.

E mesmo que isso pareça despeito, o que não é, já que O Artista mereceu cada prêmio recebido (vide minha crítica que não me deixa mentir), a minha maior preocupação é até onde essa mesma academia que teve a convicção de em três anos seguidos premiar dois filmes feitos “fora de Hollywood” e um que ninguém tinha visto, consegue aceitar que existe um novo cinema à sua porta, lutando para escrever seu nome.

Em 2012 Chistopher Nolan chegará aos cinemas com seu último capítulo de Batman, a sequência daquele mesmo filme que a Academia fez questão de ignorar por ser um filme de “super-herói”, o mesmo Nolan que, aparentemente não teve nenhuma função dentro de seu A Origem, já que todos ao seu redor foram indicados ao Oscar, menos ele. Em 2012 Quentin Tarantino lançara sua homenagem ao faroeste Django Unchained, mas quem diz que, assim como em seu Bastardos Inglórios, independente de todo seu esforço ele possa se considerar apto a não só ser indicado, mas ter chances de ganhar. Ou será que apenas o nome de Spielberg, ou Daldry, ou até Payne em algum cartaz não acabe tomando seu lugar na disputa.

No último domingo, entre acertos e alguns poucos erros, o que o Oscar 2012 mais deixa de lição para quem conseguir não se empolgar com o cenário todo, é até quando a Academia de Artes e Cinema de Los Angeles vai continuar sendo enganada como um espectador comum, sem desprestigiar esses, já que, muito mais que ela, em não poucas ocasiões, conseguiram perceber que um novo cinema, moderno, competente e vigoroso está às portas das bilheterias, quer ela queira ou não

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