Apple e Netflix fecham acordo com A24 e Paramount


Em uma semana movimentada para Hollywood, duas das maiores empresas do ramo de entretenimento fecharam acordos com dois dos maiores produtores de filmes da atualidade. A A24 apontou um acordo com a Apple e, um dia depois, a Paramount fechou com a Netflix.

O que isso quer dizer? Tudo… e nada. Principalmente porque nenhuma das duas (ou quatro) deu muitos detalhes a respeito das negociações, valores, acordos e sei lá mais o que estiver envolvido.

De um lado, a A24 pode parecer desconhecida perto da Paramount, mas acredite, ela talvez seja hoje uma das mais importantes produtoras da atualidade. Com seis anos anos de vida, sua lista de lançamentos passa por sucessos como Lady Bird, Artista do Desastre, O Sacrifício do Cervo Sagrado, Hereditário, Projeto Flórida, Ao Cair da Noite, O Quarto de Jack, A Bruxa e Moonlight. Resumindo, pode colocar um filme deles sempre na lista de melhores filmes do ano.

Como nenhum detalhe foi divulgado, o pouco que se sabe é que a Apple já tinha firmado um acordo anterior de que iria passar a gastar US$ 1 bilhão por ano em conteúdo, o que deve, talvez acabar indo alguma parta para a A24. O que deixará a impressão para o mercado de que ela está investindo em filmes de orçamento médio, ou como muita gente ainda acha mais fácil de chamar: independente (mesmo que o termo já tenha se tornado algo completamente diferente).
Muita gente já deve estar apostando em uma parceria que envolva tecnologia ou exclusividade de exibição ou comércio digital. Até porque, ninguém acredita que qualquer acordo que seja impedirá os filmes de serem exibidos nos cinemas.

Já a relação Netflix e Paramount, tudo parece ser um pouco mais claro. De acordo com o The Hollywood Reporter, site que deu a notícia em primeira mão, o CEO da Paramount, Jim Gianopulos, indicou que a Paramount irá “emprestar” sua identidade e influência para a Netflix produzir filmes que não justifiquem o investimento maior e que nem envolva lançamento nos cinemas.

A ideia bate, justamente, com a da parceria da A24 com a Apple: promover “filmes médios”.
O que se vê nos últimos anos repletos de franquias gigantescas, super-heróis e robôs gigantes é um esmagamento das produções que custam menos de U$ 100 milhões. Ambos os acordos criam oportunidade para que esse cinema volte a figurar no mercado, senão em ampla distribuição nos cinemas, pelo menos ganhando uma sobrevida muito mais garantida na internet.

É bom lembrar ainda que esse “namoro” da Netflix com a Paramount começou alguns anos atrás, quando o serviço de estreaming resolveu entrar com dinheiro no “budget” do novo filme de Martin Scorsese, The Irishman (o que lhe garante também o lançamento da produção em seus serviços).

Ainda dentro dessa relação recente, a Netflix se tornou a “casa surpresa” de Cloverfield Paradox e até “distribuiu” via streaming, Aniquilação, que provocou uma briga dentro do estúdio por causa de seu corte final e acabou não sendo lançado nos cinemas da maioria do mundo.

De um lado, a Paramount, “perdida” entre “Transformers” e “Missões Impossíveis” pode vir a ter a oportunidade de, em um futuro próximo, atrelar seu nome a filmes como, por exemplo, Roma, produzido pela Netflix e que em 2019 deve aparecer nas principais premiações do ano. Do outro lado, a Apple talvez esteja pensando mais na frente e dando o primeiro passo na compra da A24 e passando a ter sua marca atrelada também a algumas das produções mais celebradas dos últimos tempos.

De qualquer jeito, o que não faltarão serão teorias, boatos e achismo enquanto nenhuma delas vir a público explicar certinho o que essas relações significarão para o mercado de cinema e, é claro, para os espectadores.

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