Quem entrar no cinema após ver o trailer de A Trilha esperando dar de cara com um enlatado qualquer de Hollywood, como um daqueles suspenses que parecem saídos de alguma produção em série, vai se surpreender e provavelmente sair da sessão totalmente satisfeito. É claro que o filme não fará história, mas simplesmente será lembrado por ser o que é e saber lidar com isso.

Essa percepção, que quase sempre parece perdida em Hollywood, não é nenhuma novidade se você acompanhar os créditos e ver o nome de Peter Twohy nas funções de diretor e roteirista. O cineasta californiano é um daqueles exemplos de caras que apenas lidam com o material que tem em mãos, do mesmo jeito que fez um trabalho espetacular em Submersos de 2002 e ainda dois anos antes disso, quando deu o status de estrela para um certo Vin Diesel no cult Eclipse Mortal (ambos lançados por aqui direto em DVD).

Seu grande segredo, tanto nos dois quanto em nesse novo, continua sendo dar um passo para trás e entender o tamanho de seu filme, criar um “background” bacana, um monte de personagens interessantes e deixar a função de protagonista andar por todo o elenco, já que a todo tempo, você não consegue ter certeza de quem vai sobreviver para levar o título.

Twohy em primeiro lugar, parece escolher a dedo o cenário de seu filme, talvez para assim explorar ao máximo aquilo que tem em mãos, e é nessa hora que o diretor saca o paradisíaco Havaí como pano de fundo para esse suspense sobre um casal em lua de mel que resolve partir por uma trilha para uma praia afastada, mas que, no meio do caminho, dão de cara com um outro casal e a notícia de um assassinato, o que dá início a um grande jogo de olhares onde todos podem ser culpados. Um prato cheio para “dicas falsas”, reviravoltas, gente que não são o que parece e mais um monte de surpresas.

É claro que Twohy não descobriu uma mina de ouro, mas sim, só aposta em uma estrutura fácil, simples e que pede para ser comprada pelo espectador, sempre ávido para tentar adivinhar o próximo passo dos personagens, contando ainda com um roteiro agil e bem encaixado dentro da trama, com diálogos econômicos e imprescindíveis para criar terreno para o final. Talvez o espectador um pouco mais rodado saque logo de cara o que vem a seguir, mas ainda sim Twohy consegue segurar a tensão no ar até o fim de seu filme.

A Trilha Crítica

Esse jeito esquemático ainda acaba sendo um de seus melhores lados, já que durante todo ele o espectador é convidado a tentar entender o que é mentira e o que é verdade, principalmente a partir do momento em que um dos personagens, que é roteirista de cinema, acaba esmiuçando toda aquela estrutura básica de um filme de suspense em conversa com outro, fazendo com que, a partir disso, o espectador fique mais atento ainda a o que está vendo. Se divertindo não só com o suspense, mas, mais ainda, com suas certezas e clichês, mesmo que em nenhum momento Twohy tente se livrar disso, principalmente, pois sabe que as vezes o melhor é simplesmente sentar de frente para o filme e relaxar.

Ainda que o diretor acabe se perdendo um pouco ao fim do filme ao se sentir obrigado a caminhar até o seu começo para mostrar a verdade por trás de tudo, criando um momento um pouco anti-climático demais antes de dar o último passo, assim como não conseguindo achar uma solução melhor quando os personagens, e verdadeiros assassinos, estão sozinhos e mesmo assim “fingem” ser outras pessoas, A Trilha vai conquistar o público por saber onde quer chegar e conseguir chegar lá com propriedade. Com você desconfiando ou não de tudo que vai ver a seguir.


A Perfect Getaway (EUA, 2009) direção: David Twohy com: Milla Jovovich, Steve Zhan, Timothy Oliphant, Kiele Sanchez.


Trailer do filme A Trilha

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