Talvez a série de livros de Stephen King, A Torre Negra, seja um de seus trabalhos menos adaptáveis para o cinema, e olha que já nasceram muitas besteiras de obras suas. O problema da série de sete livros é que ela é completamente não contida, nem em si mesma, nem até cada história em cada livro. Mas mesmo assim Hollywood tentou.

A surpresa disso tudo é que esse A Torre Negra, dirigido por Nikolaj Arcel, nem acaba indo tão mal assim, o problema é que faz isso sob o sacrifício de tornar um incrível épico de fantasia em somente uma historinha simplória. E o problema é que até quem não for fã da série vai perceber esse apequenamento.

No filme (só nele, esqueça o livro!) a tal torre está no centro de todos universos e liga os mundos enquanto os protege da escuridão. Mas o cérebro de uma criança pode destruí-la, e esse é o grande objetivo do Homem de Preto (Matthew McConaughey), um feiticeiro que usa jovens como bateria de uma arma gigante que atira um raio na Torre. Sim… completamente sem sutileza.

Do outro lado está Roland Dechain (Idris Elba), último sobrevivente dos Pistoleiros, guerreiros guardiões da Torre. Mas a história anda para frente mesmo com Jake (Tom Taylor), um menino em Nova York que começa a ter pesadelos onde vê Roland, o Homem de Preto e a Torre Negra.

E a grande verdade (que vai irritar os fãs) é que a sinopse não foge tanto assim da ideia original, mas ao preferir conter toda uma jornada em apenas noventa e poucos minutos, decide por ter em mãos um filme corrido, sem um desenvolvimento interessante dos personagens ou até um conflito que seja mais ameaçador. Durante todo tempo o que vemos é Jake fugindo, descobrindo uma nova realidade, fugindo mais um pouco, sendo salvo por Roland e, por fim, usando seu recém descoberto poder (sim o “shine” que ele tem é aquele “iluminado”) para impedir o vilão de destruir a Torre.

Tudo bem que esse é o resumo de nove entre dez jornadas (vide Joseph Campbell), mas passar correndo por todas as possibilidades que esses mundos, realidades e personagens lhe dão torna o filme oco. Sem tudo isso, sobra algo comum onde você sabe todas as reviravoltas bem antes delas acontecerem e da fraquinha trilha sonora de Junkie XL aumentar o volume.

A Torre Negra Crítica

E até aqueles conceitos que deixariam o espectador com vontade de descobrir mais a respeito em um continuação, são tão mal usados que ninguém irá nem querer mais saber deles depois do fim do filme. A escuridão está lá, cria uns monstros e só; a Terra que foi deixada para trás deve mesmo ter sido outra realidade, pronto; o Homem de Preto é um feiticeiro, ok; eles viajam através de portais, tudo bem; opa, aqueles caras tem a pele solta, ah tá, são ratos, tudo bem.

Ninguém mais quer saber nada sobre o universo de A Torre Negra, e isso não quer dizer que necessariamente qualquer filme deveria ter uma continuação, mas sim que resumir um mundo claramente tão rico assim em algumas poucas afirmações é o mesmo que jogar fora o interesse do espectador, sua curiosidade e imersão.

E A Torre Negra é isso mesmo, um filme que se afasta do espectador ao tentar ser certinho. Não percebe que faz com que isso torne ele um filme frio e desinteressante.

Essa frieza ainda se estende para um diretor que faz um trabalho comum e que em nenhum momento aproveita o que tem em mãos. É lógico que uma ou duas cenas onde Roland recarrega sua arma são interessantes (assim como sua passagem pelo “nosso” mundo), mas no resto do tempo, apenas aponta sua lente para os atores, que para piorar parecem estar em um grande e desinteressante piloto automático.

Entretanto, é lógico que isso tudo não impede o filme de funcionar dentro de suas pretensões, mas a impressão que fica é dessas pretensões serem tão baixas que é uma pena uma grande história preferir ser pequena e prática ao invés de mergulhar de cabeça nesse mundo incrível. Talvez isso fique para o reboot, remake ou continuação daqui a uns anos.


“The Dark Tower” (EUA, 2017), escrito por Akiva Goldsman, Jeff Pinker, Anders Thomas Jensen e Nikolaj Arcel, à partir do livro de Stephen King, dirigido por Nikolaj Arcel, com Matthew McConaughey, Idris Elba, Tom Taylor, Kackie Earle Haley e Katheryn Winnick.


Trailer – A Torre Negra

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