A Terra e o Sangue | Um contra todos, todos contra um


A Terra e o Sangue conta a história de Said (Sami Bouajlia), viúvo, que nos é apresentado saindo de um exame médico cujo resultado não foi dos melhores. Com seu negócio de família em crise, decide vender a serraria para poder permitir que sua filha Sarah (Sofia Lesaffre) persiga seus sonhos.

Nesse meio tempo, um dos empregados de Said, Yanis (Samy Seghir), é pressionado pelo irmão a esconder um carregamento de drogas na serraria, o que ninguém sabe é que a carga pertence a um grande traficante, Adama (Eriq Ebouaney) que está determinado a pegar ela de volta a qualquer custo.

Trama clássica e que virou um sub-gênero prolífico, a do homem-comum-se-descobre-guerreiro-contra-bandidos, A Terra… não traz nada de novo. É mais do mesmo, se assume como tal e o máximo de originalidade que se pode levantar é sua origem européia e o uso de personagens principais e secundários praticamente todos descendentes de imigrantes (as exceções são apenas figurantes, como o comprador da serraria e a participação pequena de um velho fazendeiro perto do clímax).

O filme usa todos os clichês e estrutura, tudinho, nada falta: o herói estóico e que (apesar de quase nunca ter pegado numa arma na vida) não erra um tiro, a dama em perigo, o bandido de bom coração, o vilão monossilábico, os capangas idiotas e a violência bem dosada… mas sangrenta. O que não é necessariamente ruim. O filme só escorrega, justamente, quando quer reinventar a roda.

Isso acontece bem ali, na parte que, em um clichezão bem-feito, a gente não percebe em meio aos gritos, risadas e baldes de pipoca, que é na edição e na trilha sonora (veja a crítica do nosso editor-em-chefe do filme O Resgate para entender melhor ainda do que estou falando).

O diretor não quis usar cortes rápidos e trilha sonora agitada, ao invés disso, apostou em um estilo contemplativo e lento, com longas tomadas e poucos closes. Isso torna tudo frio demais e com uma trilha sonora eletrônica viajandona e etérea, melhor para fazer ioga do que acompanhar nosso protagonista arrebentando uns canalhas e a dama em perigo, que tem deficiência auditiva, correndo para cima e para baixo para se livrar dos bandidões.

A fotografia, “lavada” e descolorida, também não ajuda a criar tensão e torcida, deixando tudo meio blasé, muito embora lembre o estilo dos filmes mais recentes que homenageavam aqueles dos anos 70 que mostravam os caras durões e calados estourando a cara da escória, como Harry Brown e Drive.

Temos aqui mais um filme mediano da safra européia que a Netflix anda soltando aos borbotões nos últimos meses, tornando ainda mais claro que o serviço de streaming é a nova locadora do bairro, que a gente dava uma passadinha no fim de semana depois de comprar um pacote de jujuba.

Repito, nada de errado com isso, que venham mais filmecos divertidos como esse e tantos outros. Vale a visita, entre as maratonas de séries e realities.


“La Terre et le Sang” (FRA, 2020), escrito por Julien Leclercq e Jéremie Guez, dirigido por Julien Leclercq, com Sami Bouajlia, Eriq Ebouaney, Sofia Lesaffre e Samy Seghir.


Trailer do Filme – A Terra e o Sangue

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