A Costureira dos Sonhos | A clássica história sobre a distância entre as pessoas próximas

A Costureira dos Sonhos Filme

A Costureira dos Sonhos é a clássica história de patrão e empregada sob a dinâmica indiana, com suas castas e regras sociais rígidas. É uma história que avança sutilmente e deixa a gente se acostumar com sua heroína aos poucos, embora ela não tenha tanta sutileza assim.

Ambos falam idiomas diferentes, e usam inglês como ponte. Mas esse não é um filme de problema de comunicação, mas sim de camadas sociais distintas que não deveriam interagir. É possível sentir o abismo entre os dois mundos apenas notando o ritmo de ambos. Enquanto Ratna (Tillotama Shome) sempre surge apressada e com coisas na mão, Ahwin (Vivek Gomber), seu patrão, parece sempre despreocupado ou pensativo, o que é mais acentuado por ele ter cancelado seu casamento dias antes dos dois conviverem juntos e sozinhos na mesma casa.

Este é um filme que gasta muito tempo construindo o clima. Note, por exemplo, seu aprendizado como costureira. Primeiro a vemos sofrer nas mãos de um alfaiate experiente que a faz apenas perder tempo e não a ensina nada. Só que para chegarmos nessa parte da história vários dias vão correndo. Esse é apenas um gancho para que seu patrão a ajude, pois ele começa a ficar estranhamente mais interessado na vida da empregada, e vice-versa, quando os dois se sentem sós.

A Costureira dos Sonhos Crítica

Mas a falta de close-ups e a insistência em câmeras muito distantes de seus personagens torna a interação entre eles meramente formal. Além disso, fica difícil percebermos mudanças na expressão ou no tom entre eles. Há uma certa dinâmica engessada entre eles, e como este é um drama indiano, o espectador tende a querer apressar as coisas e ver os dois ficando juntos.

Só que este é um filme que usa como matéria-prima essa relação para discutir um pouco a sociedade indiana. Se fala sobre a maldição que recai sobre ela por ser viúva, com a proibição de não poder se casar de novo (e é tocante ver como ela coloca suas argolas ao sair de sua vila e as tira na volta, pois é proibida de usar por pura crendice), e como ela torce para que a irmã mais nova termine os estudos que ajudou a pagar indo trabalhar na cidade grande. Além disso, todos os familiares e amigos de seu patrão são extremamente rudes com ela, mas essa parece ser a forma normal de tratar pessoas de castas inferiores. O inexplicável é por que o patrão tende a mostrar mais compaixão (nós imaginamos, mas é difícil entender essa transição e ela não sai tão pura quanto imaginaria-se).

Caminhando a passos lentos, mas sempre chamando a atenção para a história que se move evento a evento, A Costureira dos Sonhos é uma fábula simples e direta que costuma nos fazer olhar para a tela e não tirar mais o olho até que o grande conflito se resolva. Felizmente, aqui ele se resolve com mais sutileza ainda: um sorriso no rosto que não tem preço “testemunhar”.

Esse texto faz parte da cobertura da 42° Mostra Internacional de Cinema de São Paulo


“Sir” (Ind/Fra, 2018), escrito e dirigido por Rohena Gera, com Ahmareen Anjum, Vivek Gomber, Geetanjali Kulkarni.


Trailer – A Costureira dos Sonhos

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