Poucos gêneros conseguem não se levar a série e ainda assim produzirem resultados interessantes como o terror. E quanto mais ele não se leva a série, mais ele consegue chegar em lugares nunca pensados por quem não se permite esse tipo de galhofa. A Babá faz isso, e faz isso tão bem que fará muito fã ter saudades de grandes clássicos do gênero que os fazia morrer de dar risada (sim… isso foi um trocadilho).

O filme, uma produção da Netflix, é dirigido pelo mesmo McG que já não levou a sério As Panteras e cada vez vem menos levando a sério a série Supernatural (que ele produz). E toda essa falta de pretensões resulta em um filme divertido, violento, cara de pau e exagerado até a última gota de sangue. E principalmente, pois parte de uma premissa criativa e deliciosa.

Na verdade, ela tenta explicar o que a babá do jovem Coe (Judah Lewis), que já está velho demais para ter uma babá, faz depois que ele dorme. Muitas fariam festas, ou trariam o namorado para “aproveitar”, mas no caso de Bee (Samara Weaving, sobrinha do “Tio Hugo”), ela faz um ritual satânico.

Simples assim. Uma premissa mais que suficiente para qualquer fã do gênero sair correndo para apertar o play dessa produção que, ainda por cima, é caprichada. McG tem a segurança dos planos a seu favor, assim como se aproveita de uma série de possibilidades para criar um filme visualmente divertido. Palavras surgem da tela, como se estivesse em algum lugar dos anos 70, o mundo fica em slow motion enquanto o protagonista está com a “namoradinha” e ainda por cima, o gore.

A Babá Crítica

Não que A Babá seja um daqueles tipos de Filme B nojentão cheio de sangue e miolos, na verdade ele é até limpinho, mas leva para as poucas cenas de gore o mesmo exagero com que carrega o resto do filme. Então, muito sangue espirra por aí (com uma boa piada onde a maioria dele em um mesmo personagem), seja nas facas enfincadas em um crânio, seja em um tiro. Tudo isso sem se levar a sério.

E talvez esse “não se levar a sério” seja o melhor do filme e o que mais deve agradar aos fãs. Além da premissa maluca, todo o resto assume uma lógica digna das melhores paródias ao gênero. Além dos estereótipos de cada personagem, impossível não se divertir, por exemplo, com o cara bonitão que tira a camisa sem qualquer tipo de razão aparente e decide adiar a morte do protagonista para que ele aprenda a se defender do valentão da escola. E é só esse tipo de atitude que permite que A Babá seja tão divertido mesmo diante de uma enorme simplicidade.

Até porque, existe tão pouco a ser contado e desenvolvido que é preciso aproveitar cada possibilidade dessa simplicidade. E ele o faz, se tornando um filme curto, divertido e descartável, no melhor dos sentidos. Afinal, o próprio gênero não precisa se levar à sério para conseguir funcionar e isso A Babá faz perfeitamente bem.


“The Babbysitter” (EUA, 2017), escrito por Brian Duffield, dirigido por McG, com
Judah Lewis, Samara Weaving, Robbie Amell, Hana Mae Lee, Bella Thorne, Emily Alyn Lind, Andrew Bachelor e Leslie Bibb.


Trailer – A Babá

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