Eu sei, eu sei… 24 Frames pode não ser o melhor entretenimento para o espectador médio… não, “pode não ser” é um senhor eufemismo. Ele não é um entretenimento. Ponto. O novo filme de Abbas Kiarostami (Cópia Fiel, Um Alguém Apaixonado) vai além da própria linguagem cinematográfica começando do começo: o que é um frame? Você vai descobrir. Em 24 deles.

E através de 24 frames, ele irá ensinar o espectador que tenha a paciência de acompanhar os 114 minutos deste filme sobre o que é o exercício mental ao assistir um filme, e como nosso processo criativo, ou da imaginação, é quem de fato constrói mais dados do que imaginamos construir.

Porque uma coisa é certa: o espectador médio espera que lhe contem o que ele deve pensar e sentir. E Kiarostami está fazendo o exato oposto aqui. Em 24 quadros, onde a grande maioria é praticamente estática, veremos, na maioria também, pássaros, ou outros animais menores, se comportando como animais. Cada quadro dura em média 5 minutos (se você não fez a conta), e ao seguirmos pacientemente um a um irá sugir algo mágico em nossas cabeças: a criatividade.

24 Frames Crítica

É a criatividade que irá lhe dizer para onde vai esse filme, sobre o que ele é, qual a moral da história. Você pode pensar que este é um simulacro da realidade, já que os animais não parecem reais, mas computações muito bem desenhadas em cima de um matte paiting belíssimo, com uma fotografia tão deslumbrante, minimalista em cores (na maioria preto & branca) e que não cansamos de olhar.

Você pode também pensar que tudo não passa de uma maneira de observarmos, com calma, como a realidade é uma espécie de simulacro, mas que nunca nos damos conta porque… bem, porque a vivemos todo santo dia! E se tudo que estivermos vivendo não for um filme que se passa em nossas cabeças. O que vemos no mundo se parece tanto com os frames de Kiarostami, ou são os frames dele que se parecem com a vida real? E esta é a vida real, mesmo?


“24 Frames” (France/Iran, 2017), dirigido por Abbas Kiarostami


Trailer – 24 Frames

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