2012

2012 Filme

Mesmo que existisse aquele famoso botãozinho que desliga seu cérebro, ou até um mecanismo menos radical que lhe permitisse se divertir com qualquer absurdo que fosse, ainda assim 2012 seria um ótimo exercício para a paciência de qualquer um. E não é pelo simples lugar comum de falar mal de Roland Emerich.

É preciso convir que o diretor alemão e sua mania de grandeza nunca foram um exemplo de qualidade no cinema, mas também é impossível afastá-lo da indiscutível diversão de seus filmes. Uma falta de vergonha na cara que te faz comprar aquelas histórias por mais absurdas que fossem, e é exatamente ai que 2012 parece começar a derrapar, como se fosse quase impossível engolir a idéia de um bando de “neutrinos de sei lá o que” em conjunto com temíveis “erupções solares blá blá blá” que fazem a crosta terrestre boiar sobre uma “gelatina vulcânica”. Mesmo que a divertidíssima animação (talvez melhor momento do filme, sem exageros) feita pelo personagem maluco (e totalmente desperdiçado) vivido por Woody Harrison explique perfeitamente tudo, ainda assim, existe uma dificuldade imensa de se comprar uma ideia tão global.

Para piorar, o roteiro escrito pelo próprio diretor, em parceria com Harald Kloser, ainda tentam, mesmo que extremamente passageiro, citar alguns maias e seu calendário, um alinhamento de planetas e até um monge budista e uma tigela transbordando de chá, tudo por demais profundo se não fosse risível. Uma salada de referências desconexas que ainda passa por uma certa inundação bíblica.

Mas é bom guardar suas risadas para todo resto do filme, já que por pouco tudo não se transforma desastrosamente em uma sátira. Ainda que bem humorado em seu início, uma carga enorme de piadinhas faz aquilo passar totalmente do limite e torna o filme muito mais engraçado do que ele deveria ser. É impossível levar a sério qualquer tentativa de seriedade na trama quando a todos momentos Emerich parece disposto a colocar uma frasezinha mais engraçada na boca do protagonista vivido por John Cusack, que acaba se mostrando uma péssima escolha, já que derruba ainda ainda mais a credibilidade do filme com aquele jeito irônico que vem com seu nome.

Tudo piora ainda mais quando o diretor resolve fazer um filme repleto de “climaxes”, com seus heróis escapando no último segundo de todos desastres, correndo contra um relógio em slow motion que sempre espera aquelas últimas ações dos personagens antes de acabar com tudo às suas costas. Apelando para aquele suspense, batido, onde tudo parece ter cara de estar prestes a dar errado no último segundo, mas que, logicamente, não dá.

Repetitivo e sem o mínimo suspense, Emerich parece ter uma necessidade crônica de criar sequencias de ação que escorrem dólares, mas se mostram secas de credibilidade e apoteóticas demais diante de suas poucas importâncias narrativas, deixando com que o verdadeiro clímax final do filme se torne extremamente cansativo e sem a mínima surpresa.O diretor então não faz o mínimo esforço em criar um filme sincero e que acaba se perdendo completamente em uma forçassão de barra exagerada até para sua própria filmografia (o que não é pouco).

Uma preguiça narrativa ainda faz tudo se tornar um clichê do primeiro ao último frame de filme, além de uma conveniência monstruosa que carrega a trama até seus momentos finais, com personagens tendo escolhas que, por pouco, não fariam sentido. Mortes totalmente desnecessárias, filhos que preferem o padrasto, discursos motivacionais que mudam o rumo da história, a Casa Branca sendo destruída (desta vez de um modo que arrancará risadas de tão absurdo) e uma rede de transmissão de celulares digna de palmas ao fim do filme, provando que, diante do filme do mundo usar o celular é barbada (só não tente fazer a mesma coisa durante o Ano-novo!)

Mas talvez o maior defeito de 2012 seja o ano de seu lançamento, já que se fosse em 2013, pelo menos o mundo teria ainda a esperançado de acabar antes de sua estreia.


2012 (EUA/Can, 2009) direção: Roland Emerich com: John Cusack, Amanda Peet Chiwetel Ejiofor, Thandie Newton, Woody Harrelson, Danny Glover


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